A Polícia Militar prendeu na noite de terça-feira (7) um dos suspeitos de participar da tentativa de assassinato contra o tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel. O suspeito foi levado para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Atentado e estado de saúde
O tenente foi baleado na cabeça por dois homens em uma moto em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, em 27 de junho. Ele permanece internado em estado grave na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. De acordo com o boletim divulgado no domingo (5) pelo 1º Batalhão de Polícia de Choque, o oficial passou pela troca programada do dispositivo de drenagem, procedimento realizado conforme planejamento prévio da equipe. A tomografia de crânio confirmou o dreno bem posicionado e funcionante, sem evidência de novos sangramentos. A pressão intracraniana encontra-se em níveis baixos, com o dispositivo apresentando baixo débito.
Na tarde de sábado (4), o oficial apresentou uma intercorrência neurológica, com alteração pupilar transitória. A equipe realizou imediatamente tomografia de crânio, que não evidenciou novos eventos, e o quadro reverteu de forma espontânea em cerca de uma hora. Pimentel seguirá com cuidados intensivos de manejo da pressão intracraniana até a próxima segunda-feira (6), quando a equipe médica deve iniciar o desmame gradativo da sedação ao longo dos próximos dias, precedida da traqueostomia para proteção da via aérea.
Investigação e mortes de suspeitos
Até a publicação desta reportagem não havia informações se o detido é Hércules da Costa Siqueira, apontado pela investigação como o autor dos disparos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização dele. Quem tiver alguma informação deve ligar para o Disque Denúncia (181) ou enviar pelo site www.ssp.sp.gov.br/denuncia, com sigilo absoluto.
Entre os dias 29 de junho e 2 de julho, três homens morreram em ações da Rota na capital paulista e no litoral, após denúncias que os relacionavam ao ataque contra o tenente. A primeira morte ocorreu na madrugada de 29 de junho, quando uma equipe do 1º Batalhão de Polícia de Choque da Rota recebeu denúncia de que um homem que teria participado do atentado estava nas proximidades da Estrada do Aricanduva, no bairro José Bonifácio, Zona Leste da capital. Segundo a PM, o suspeito estava armado e houve confronto durante a abordagem. O homem foi baleado e morreu no local. Em nota, o major PM Veiga afirmou que a denúncia não chegou a ser averiguada e que não há elementos que relacionem o morto aos autores da tentativa de homicídio.
Na manhã de quarta-feira (1º), outra denúncia levou equipes da PM até a região de Guaianases, também na Zona Leste. Houve confronto, e o suspeito foi baleado. Ele foi encaminhado a um hospital, mas não resistiu. A SSP informou que "não atribui ao homem morto nesta quarta-feira (1º) a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o Tenente Pimentel". O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial.
A terceira morte foi registrada em Peruíbe, no litoral paulista, na noite de quinta-feira (2). Elenilson Misael da Silva, conhecido como "Galego", apontado como integrante de uma organização criminosa, morreu durante confronto com policiais da Rota. Segundo a investigação, ele é suspeito de participação no atentado. Equipes da Rota receberam as características do carro usado por ele e, durante as buscas, identificaram o veículo. O motorista fugiu e foi perseguido até a Rua Cuiabá, onde houve confronto. O suspeito foi desarmado e levado à UPA, mas morreu após dar entrada. Foram encontrados quatro estojos de munição vazios ao lado do carro.
Recompensa e prisão temporária
Na sexta-feira (3), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de Hércules da Costa Siqueira, de 45 anos, conhecido como "Golias" ou "Peruca". A decisão também autorizou buscas em endereços ligados ao investigado e a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos de suspeitos. Segundo a investigação, Hércules é o homem que estava na garupa da motocicleta que acompanhava o policial no momento do atentado. Ele já havia sido identificado pela Polícia Civil na terça-feira (1º), após apreensão do carro usado na fuga. O suspeito possui antecedentes criminais por roubos e homicídio. O magistrado determinou a prisão temporária por 30 dias, considerando a gravidade do caso e a necessidade de preservar as investigações. De acordo com a decisão judicial, as investigações apontam que o atentado foi executado por uma organização criminosa com funções previamente divididas e que a vítima teria sido monitorada antes do crime.



