Uma perseguição policial em Corumbá terminou com a execução do soldado Marcelo Pimenta da Silva, do Grupamento Especializado Tático em Apoio Motociclístico (GETAM), e desencadeou uma força-tarefa que resultou na prisão de um suspeito, na morte de outro e na apreensão de um arsenal. Um terceiro envolvido continua foragido. O crime, ocorrido na noite de terça-feira (31), teve origem em uma disputa entre integrantes de uma facção criminosa pelo controle do tráfico de drogas na região de fronteira entre Brasil e Bolívia.
Disputa por tráfico motiva ataque
De acordo com a Polícia Militar, o alvo inicial do ataque era um homem conhecido como "Coelhinho", que estava em uma casa atacada a tiros antes do confronto com os policiais. Após o atentado, equipes da PM localizaram o veículo usado pelos criminosos. Durante a tentativa de abordagem, os suspeitos reagiram atirando com armas de grosso calibre, incluindo fuzis, momento em que o soldado Marcelo Pimenta foi baleado e morreu. O militar, de 32 anos, integrava o GETAM do 6º Batalhão da PM de Corumbá e deixa uma filha de 7 anos.
Força-tarefa e prisões
Imediatamente após o ataque, foi montada uma operação com apoio do Batalhão de Choque, BOPE, Departamento de Operações de Fronteira (DOF), Grupamento Aéreo da PM, Polícia Civil, Polícia Penal, FICCO e até da Polícia Boliviana. Durante as diligências, um dos suspeitos foi preso e encaminhado ao hospital sob escolta policial. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Renato dos Anjos Garnes, ele apresentava estilhaços no corpo, que serão periciados para verificar se têm relação com o confronto. Outro suspeito morreu após, segundo a PM, tentar tomar a arma de um policial enquanto era conduzido. Os policiais reagiram para conter a agressão.
As equipes também localizaram o carro usado na fuga e uma casa onde, segundo a investigação, estavam escondidas as armas utilizadas no ataque. No imóvel foram apreendidos dois fuzis calibre 5.56, uma pistola calibre 9 milímetros e um revólver calibre .38. Uma mulher, apontada pela polícia como responsável por guardar o armamento e esposa do suspeito que morreu durante a ação, também foi presa.
Ligação com o PCC e buscas continuam
O comandante-geral da PM afirmou que os envolvidos têm ligação com o PCC e que o confronto foi motivado por uma disputa interna pelo domínio do tráfico de drogas na região de fronteira. "Um dos elementos ainda está foragido, mas todo o aparato da segurança pública permanece em Corumbá. Vamos dar a pronta resposta a essa ação contra o Estado de Mato Grosso do Sul", declarou o coronel Renato dos Anjos Garnes. A Polícia Militar informou que o reforço policial permanece na cidade e que as buscas continuam.
Governador lamenta morte de soldado
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, lamentou a morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva e prestou solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de farda. Em nota, afirmou: "Recebi com profunda tristeza a notícia da morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, que perdeu a vida em serviço enquanto cumpria a missão que escolheu para si: proteger a população de Mato Grosso do Sul. Marcelo honrou seu compromisso com coragem e dedicação até o último instante. Sua partida deixa um vazio irreparável para a família, os amigos e toda a nossa segurança pública. Deixa também uma filha de apenas sete anos, que cresce com o legado de um pai que entregou a própria vida em defesa da sociedade. Neste momento de dor, expresso minha solidariedade aos familiares, amigos e irmãos de farda. Saibam que vocês não estão sozinhos. Em respeito à memória do soldado Marcelo e por todos os sul-mato-grossenses, enfrentaremos o crime organizado com firmeza e determinação. Todas as forças de segurança estão mobilizadas para identificar, localizar e prender os responsáveis por esse crime. Essa é uma resposta que devemos à família de Marcelo, à Polícia Militar e à sociedade."
Perfil do soldado morto
O soldado Marcelo Pimenta tinha 32 anos, ingressou na corporação em 2024 e era considerado um profissional de destaque. O comandante-geral da PM afirmou: "O nosso policial militar vai receber todas as honras militares que merece. Foi um ato em serviço, morreu em serviço. E a memória dele vai ser lembrada para sempre."



