A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas no Rio de Janeiro. O principal alvo foi o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, preso preventivamente.
Esquema de lavagem com postos de combustíveis
Segundo a PF, a organização criminosa usava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro do crime organizado. Canella é apontado como o braço político do grupo. O esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Polícia Federal.
O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, também foi alvo da operação, mas não teve a prisão decretada.
Origens e desdobramentos da Operação Unha e Carne
A investigação começou com a Operação Zargun, em setembro de 2025, que prendeu o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, apontado como elo político entre o Comando Vermelho e o Legislativo. O vazamento de informações sigilosas dessa operação deu origem à Unha e Carne.
Na primeira fase, em 3 de dezembro, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso por suspeita de ter repassado a TH Joias dados sobre a operação. Ele foi solto dias depois, mas voltou a ser preso na terceira fase, em 27 de março, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Envolvimento de magistrados e políticos
A segunda fase, em 16 de dezembro, prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2, relator do caso TH Joias. A PF encontrou no celular de Bacellar mensagens trocadas com o magistrado, indicando relação estreita.
A quarta fase, em 6 de maio, resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), acusado de fraudes na Secretaria estadual de Educação. A quinta fase, deflagrada no último dia 2, prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por ligação com a máfia do cigarro, e cumpriu buscas na casa do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral.
Impacto e continuidade das investigações
A Operação Unha e Carne já resultou na prisão de agentes públicos, políticos e magistrados, evidenciando a capilaridade do crime organizado no Rio de Janeiro. A PF afirma que as investigações continuam para desarticular completamente as organizações criminosas envolvidas.



