PF prende dois homens por exploração infantil em Curitiba
PF prende dois por exploração sexual infantil em Curitiba

O monitoramento constante da Polícia Federal (PF) e uma denúncia recebida pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) levaram a uma operação que resultou na prisão de dois homens na manhã desta quinta-feira (16) em Curitiba. Segundo a polícia, os alvos estão envolvidos com os crimes de extorsão sexual, estupro de vulnerável, produção e compartilhamento, na internet, de imagens de crianças e adolescentes sendo abusadas sexualmente. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

Denúncia da Interpol e prisão em flagrante

A Polícia Federal informou que recebeu informações da Interpol, que relatavam que uma adolescente residente nos Estados Unidos estava sendo vítima de extorsão sexual por parte de um homem de 18 anos, morador do Brasil. Ele foi preso em flagrante por posse de arquivos relacionados à exploração sexual infantil. Na ação, também foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva.

“Inquéritos diferentes, mas todos tratando de casos de abuso sexual infantil. Nos três casos, foi verificado que indivíduos estavam compartilhando materiais de abuso na internet, cada um em um contexto diferente”, explicou Flávio Augusto Palma Setti, delegado da Polícia Federal.

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Investigação revela abusos de longo prazo

Segundo o delegado, o outro preso já havia sido detido no final de 2025 por compartilhar materiais de abuso sexual na internet. Após a primeira prisão, as investigações avançaram e a corporação encontrou vídeos do homem abusando crianças entre 7 e 9 anos.

“Assim que a Polícia Federal começou a analisar os materiais apreendidos com esse sujeito, foi identificada uma série de arquivos de abuso produzidos por ele mesmo. Muitos vídeos dele abusando sexualmente de várias vítimas diferentes. Esses abusos vinham acontecendo há muitos anos, desde 2011, 2012, até períodos muito mais recentes”, detalhou Setti.

Equipamentos apreendidos e terceiro suspeito investigado

Um terceiro suspeito, alvo dos mandados de busca e apreensão, não foi preso, mas é investigado. Segundo a PF, a ação apreendeu diversos equipamentos utilizados pelos investigados. Eles serão submetidos à perícia, com o objetivo de identificar eventuais outros crimes praticados, assim como à identificação de abusadores sexuais e o resgate de crianças vítimas dos abusos.

Abordagem por jogos online e prevenção

Setti explica que, em um dos casos, o suspeito buscava se aproximar das crianças por meio de jogos on-line, comportamento que tem crescido exponencialmente nos casos investigados pela Polícia Federal, conforme o delegado.

“Em muitos desses casos, a gente verifica que os abusadores se aproximam das vítimas por meio de redes sociais, por meio de jogos que possibilitam essa interação entre as crianças e outras pessoas. Os abusadores, sabendo disso, sabendo que as crianças estão ali na maior parte do tempo desassistidas, fazem esse contato, ganham a confiança e, por meio dessa confiança, começam a praticar vários atos de abuso”, detalha.

Cecília Landarin, analista de projetos do Centro Marista de Defesa da Infância, aponta que o caso é um exemplo de como o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes depende de uma ampla rede de cuidado e proteção.

“O ambiente digital não causa violência sexual. Mas ele pode ser usado por esses agressores. A violência sexual acontece também nesse ambiente e ela precisa ser enfrentada com prevenção, com diálogo, com educação, com responsabilidade das plataformas, das famílias e da sociedade”, destaca Landarin.

Diálogo familiar como ferramenta de prevenção

Para a especialista, a relação entre pais e filhos é fundamental para identificar sinais de abusos. Ela destaca que os pais precisam estar atentos a mudanças de comportamento.

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“A gente evita trabalhar com um 'checklist' de sinais, porque cada criança vai manifestar isso de uma forma. [...] As mudanças bruscas de comportamento precisam ser observadas. Quando uma criança começa a esconder o celular, a gente tem uma responsabilidade como famílias. A gente evita a culpabilização das famílias, mas a gente tem uma responsabilidade, como familiares, de acompanhar aquilo que as crianças fazem no ambiente on-line, assim como a gente tem essa responsabilidade na vida”, afirma Cecília.

Diante do desafio de lidar com os contatos feitos por crianças e adolescentes na internet, a frequência e a forma com que pais e filhos conversam fazem uma grande diferença. “Isso é a prevenção possível, para que a gente construa um espaço seguro para que essa criança se sinta à vontade para manifestar aquilo que está vivendo no celular ou fora dele. Porque o controle total a gente jamais terá”, conclui.