A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (23) a Operação Commodity para desmantelar uma organização criminosa suspeita de enviar 6,5 toneladas de cocaína para a Europa desde 2021. O grupo tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Agentes cumprem 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 1 bilhão.
Investigação e apreensões
As investigações começaram em 2021, após a PF identificar um esquema de exportação de cocaína escondida em cargas lícitas, como café e outros produtos agrícolas. Em setembro de 2025, uma das apreensões que subsidiaram a operação foi de meia tonelada de cocaína oculta em sacas de café, no Porto de Santos. A droga seria enviada para a Europa.
Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava empresas de fachada para camuflar o envio da droga e a movimentação financeira. O grupo também contava com uma estrutura logística sofisticada, com contêineres e documentos falsos. As investigações apontam que a cocaína era adquirida de facções criminosas como PCC e CV e depois exportada para países europeus, principalmente Portugal, Espanha e Holanda.
Bloqueio de bens e prisões
A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 1 bilhão, incluindo imóveis, veículos, contas bancárias e outros ativos. Os mandados de prisão preventiva visam desarticular a cúpula da organização. Até o momento, a PF não divulgou os nomes dos presos, mas informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos.
O delegado responsável pela operação, Carlos Alberto Silva, afirmou: “Estamos diante de uma das maiores organizações de tráfico internacional de drogas já investigadas pela PF. O uso de commodities agrícolas para esconder a cocaína mostra a sofisticação do esquema.”
Impacto e próximos passos
A Operação Commodity representa um duro golpe no tráfico internacional de drogas, especialmente nas rotas que ligam o Brasil à Europa. A PF estima que o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões com o tráfico de cocaína nos últimos cinco anos. As investigações agora focam em rastrear o dinheiro e identificar outros membros da organização, incluindo financiadores e corruptores de agentes públicos.
A ação conta com o apoio da Receita Federal e do Ministério Público Federal. A PF reforça que denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 180 ou pelo site da instituição.



