PF investiga pai e filhas por tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro
PF investiga família por tráfico e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação 'Mens Occulta' para investigar suspeitas de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro envolvendo uma família no Triângulo Mineiro. O principal alvo é Mario Sergio Nunes, apontado como líder do grupo criminoso, juntamente com suas filhas Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes. Mario e Brenda foram presos em um hotel em Uberaba na terça-feira (2), enquanto Bruna é considerada foragida.

O papel de cada investigado

Segundo a PF, Mario Sergio Nunes, conhecido como 'Serjão', seria uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região. Ele chefiava uma estrutura hierárquica rígida, coordenando motoristas conhecidos como 'mulas' para o transporte de drogas. O grupo também utilizava laranjas e empresas de fachada para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.

A esposa de Mario, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, é investigada por participar da criação e manutenção de empresas de fachada, além de atuar na ocultação de patrimônio. A Justiça considerou suficiente o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra ela por enquanto.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Bruna Nunes atuava como intermediária na comunicação do grupo e usava contas bancárias para movimentações ilícitas. A PF aponta que ela mantinha um padrão de vida incompatível com sua renda declarada de R$ 3.750 mensais, incluindo um veículo avaliado em R$ 130 mil financiado pelo pai. Mensagens interceptadas mostram sua preocupação em apagar conversas com suspeitos.

Brenda Nunes exercia funções semelhantes às da irmã, atuando no controle financeiro e na comunicação com outros suspeitos. Ela movimentava recursos de contas de uma empresa de fachada, a Pedro Estética Veicular, registrada em nome da mãe. A PF destaca que Brenda não tinha emprego formal e possuía bens como lanchas, motos aquáticas e cavalos de competição avaliados em cerca de R$ 50 mil cada.

Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro de Mario, é suspeito de atuar como 'laranja' para ocultar patrimônio. Ele comprou uma carreta por R$ 320 mil logo após a apreensão de cocaína em abril de 2025 e a revendeu no dia seguinte por R$ 300 mil, indicando tentativa de ocultar o bem. Sua movimentação financeira é incompatível com a renda formal registrada.

Apreensões e bens de luxo

Durante a operação, a PF apreendeu um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, pertencente a Brenda, em um haras em Barretos (SP). Também foi encontrado um flutuante motorizado com estrutura de lazer, incluindo fogão, sistema de som e pista de dança, em uma propriedade em Uberlândia. Os investigadores acreditam que o grupo usava recursos do tráfico para adquirir bens de alto valor.

As investigações apontam movimentações financeiras de cerca de R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. A família acumulou ranchos, apartamentos, embarcações, veículos importados e um motorhome de luxo avaliado em R$ 1,2 milhão.

A operação

A operação 'Mens Occulta' mobilizou 230 policiais federais para cumprir 25 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. O nome, em latim, significa 'mente oculta', em referência à estratégia do líder de evitar exposição direta.

Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa da família Nunes informou que ainda não teve acesso integral aos autos e que confia nas instituições para o esclarecimento dos fatos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar