A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a segunda fase da Operação Anafóra, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro proveniente do desvio de recursos públicos, especialmente aqueles destinados à área da saúde. Agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão, sendo dez expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), em razão do atual entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a manutenção do foro privilegiado de envolvidos, mesmo após o término do mandato. Os endereços alvo estão localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, na Região Metropolitana, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Investigação aprofundada após primeira fase
A apuração sobre a lavagem de dinheiro foi aprofundada após a deflagração da primeira fase da operação, em 2022. As investigações revelaram que os investigados mantêm bens próprios registrados em nome de terceiros, realizam despesas incompatíveis com sua condição financeira e participam de negociações vinculadas a imóveis. Essas práticas configuram indícios de ocultação de patrimônio e movimentação de valores ilícitos.
Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que venham a surgir no decorrer das investigações.
Primeira fase: contrato milionário com cooperativa
Em sua primeira fase, a Operação Anafóra investigou um suposto favorecimento na contratação da Renascer Cooperativa de Trabalho (Renacoop) pelo município de Duque de Caxias, para prestação de serviços médicos e afins na rede de saúde municipal. O contrato e seus aditivos totalizavam R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos. Na ocasião, um dos alvos foi o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), então candidato a vice-governador na chapa de Claudio Castro (PL). Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Reis.
De acordo com a decisão judicial que autorizou a busca, a PF narrou suspeitas de favorecimento na contratação da cooperativa, além de indícios de sobrepreço. Também foram levantadas suspeitas sobre uma suposta doação de tanques-rede para a criação de peixes na Fazenda Paraíso, centro de tratamento de dependentes químicos do município.
Reação dos investigados
Na ocasião, Washington Reis confirmou ter recebido os agentes da PF em sua casa, “com mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre um suposto favorecimento em contratos de uma cooperativa de trabalho. Washington destaca que atendeu aos policiais e se colocou à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. A polícia fez o seu trabalho, sem nenhum tipo de interrupção ou dificuldade e nada foi encontrado”. O ex-prefeito afirmou ainda que os policiais estiveram “na Fazenda Paraíso, com outros mandados de busca e apreensão, para averiguação, onde também não encontraram nada ilegal, apenas o espaço em seu funcionamento regular onde, neste momento, mais de 60 dependentes químicos encontram-se em tratamento já que o local é o maior centro de recuperação de dependentes químicos do país”.
Já o então governador e candidato à reeleição ao Governo do Rio, Cláudio Castro, afirmou respeitar o trabalho da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) e aguardar os desdobramentos da operação.



