Denúncia de agressão durante confraternização
O palhaço Júlio Cesar de Oliveira, de 47 anos, conhecido como Palhaço Alegria, denunciou ter sido agredido por policiais militares do Acre (PM-AC) durante uma abordagem na noite de terça-feira (14), no bairro João Eduardo I, em Rio Branco. Ele participava de um churrasco com amigos em frente de casa quando a PM chegou por causa do som alto. Imagens feitas por moradores mostram policiais discutindo, jogando spray de pimenta e ameaçando atirar com bala de borracha.
Versão do artista
Segundo Júlio, o grupo já havia reduzido o volume do som antes mesmo da abordagem, em respeito a uma vizinha que realizava uma reunião religiosa. "A polícia chegou e pediu para abaixar, a gente abaixou mais ainda", relatou. A situação escalou quando um amigo questionou a abordagem. "Meu amigo falou: 'Pô, não está nem na hora ainda'. Aí já deu desacato e já botaram a algema nele. Em hora nenhuma a gente foi para cima do policial, nem agredimos verbalmente", afirmou Júlio.
Conforme o relato, após a prisão do amigo, chegaram mais de quatro viaturas. "Os caras já desceram apontando arma para a gente, jogando spray de pimenta. Jogaram spray de pimenta na minha cara e, em seguida, deram um tapa na minha cara", declarou Júlio, que disse ter se sentido como um bandido. Ele afirmou que não reagiu por medo de ser fuzilado: "Se eu levantar daqui e bater nesse cara, vão me fuzilar e amanhã vão dizer que eu estava bêbado".
Nota da Polícia Militar
A PM-AC afirmou que a equipe orientou os moradores a desobstruir a passagem e reduzir o som, determinações atendidas inicialmente. No entanto, segundo a corporação, um homem passou a intervir na abordagem, "dirigindo ofensas e termos chulos aos policiais e desobedecendo às ordens legais para que se afastasse, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelo crime de desacato". Durante a condução, familiares e outras pessoas tentaram impedir a ação, resistindo às determinações. A PM disse que foi necessário o uso de spray de pimenta, instrumento de menor potencial ofensivo, e que a situação foi controlada, com o homem conduzido à Delegacia de Flagrantes.
Indignação e busca por justiça
Júlio Cesar criticou a forma como a abordagem foi conduzida: "Quatro viaturas e não teve um policial para conversar com a gente. Chegaram armados, mandando sair, apontando arma. Só queríamos que alguém explicasse o que estava acontecendo". Ele afirmou que pretende buscar responsabilização judicial, inclusive pelo celular de uma pessoa que registrava a ocorrência, que foi derrubado e danificado. A PM informou que eventuais condutas incompatíveis serão apuradas pela Corregedoria.



