Pai que chutou filha de 3 anos no rosto diz que 'perdeu a cabeça'
Pai que chutou filha de 3 anos no rosto diz que 'perdeu a cabeça'

Um homem de 31 anos foi preso em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, após ser flagrado por câmeras de segurança chutando o rosto da própria filha de 3 anos. Em depoimento à polícia, ele afirmou que perdeu o controle porque a menina "estava berrando na rua". O caso, que ganhou repercussão nacional, ocorre em um contexto de aumento da violência contra crianças no Brasil.

O depoimento do pai

Segundo o relato do suspeito, a família voltava do mercado quando a filha começou a chorar. "Ela estava berrando na rua. Eu tinha pedido para ela parar de ficar berrando. Ela sempre chora ou berra direto assim, escandalosamente", disse. Ele declarou ter "perdido a cabeça" e afirmou estar arrependido: "Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional, porque eu jamais iria machucar minha filha".

Imagens mostram agressão

As imagens de segurança registraram o momento em que a menina é atingida por um chute no rosto e cai no chão. O irmão dela, de 5 anos, presencia toda a cena e permanece imóvel, assustado. Um personal trainer que testemunhou a agressão disse que foi ameaçado pelo pai: "Vai sobrar para você".

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Investigação e outras agressões

Após a divulgação das imagens, a Polícia Civil ouviu familiares e testemunhas e pediu a prisão preventiva do pai, que foi decretada pela Justiça. Além da agressão registrada, a polícia investiga pelo menos outros dois episódios de violência contra os filhos do suspeito. Familiares relataram que o menino de 5 anos teria sido agredido com um pedaço de pau, ficando com uma marca no rosto. Também há relatos de castigos considerados cruéis, como obrigar as duas crianças a permanecer ajoelhadas sobre grãos de feijão e tampas de garrafa PET.

Diante dos indícios, a polícia avalia se o homem poderá responder também por tortura, considerando o sofrimento físico e psicológico imposto às vítimas. A mãe das crianças pediu medida protetiva e informou que pretende se separar do marido. Em áudio enviado à reportagem, ela afirmou estar abalada e disse nunca ter presenciado uma agressão desse tipo.

Aumento da violência contra crianças

O caso ocorre em meio ao crescimento dos registros de violência contra crianças no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2020, 8.900 crianças de até 9 anos vítimas de agressão foram atendidas em hospitais brasileiros. Em 2024, esse número chegou a 18.968 — mais que o dobro, o equivalente a uma média de 52 atendimentos por dia. Já o Disque 100 recebeu, em 2025, mais de 189 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, alta de 2,5% em relação ao ano anterior.

Segundo os dados, os principais agressores fazem parte do próprio ambiente familiar, como pais, mães, padrastos, madrastas e avós. Especialistas alertam que a violência praticada dentro de casa tende a perpetuar um ciclo de agressões. "Violência não educa. Violência deseduca e perpetua a violência. O que educa é conversa, orientação e os exemplos dentro da família", afirmou um especialista ouvido pela reportagem.

As autoridades reforçam que casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças devem ser denunciados para permitir a atuação dos órgãos de proteção e evitar que as agressões se repitam.

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