A Operação 'Mensageiros do Crime', deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) nesta terça-feira (30), resultou na prisão de 11 advogados suspeitos de atuarem como 'pombos-correio' para facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Uma advogada segue foragida.
Lista de advogados alvos da operação
Segundo apuração do g1, os advogados alvos da operação são: Cintia Emanuela Daniel Alves (foragida); Raissa Xavier Leitão; Agnelo Alexandre de Souza Amorim; Francisco Jair Moreira Caetano; Debora Marny de Aguiar Parente; Francisca Leny Carneiro; Aniele dos Santos Moreira; Ana Flávia Martins Braga da Silva; Carina Brauna Bruno Sales; Maria Jakelyne Albuquerque Almeida; Tancredo de Lima Araújo; e Rennier Martins Vasconcelos.
Advogados candidatos nas eleições de 2024
Dois dos advogados alvos da operação concorreram a vagas de vereador nas eleições de 2024. Rennier Martins Vasconcelos, que concorreu como 'Dr. Rennier' pelo MDB em Fortaleza, recebeu 1.062 votos e ficou como suplente. Debora Marny de Aguiar Parente concorreu pelo Agir em Fortaleza e obteve 27 votos.
Atuação como 'pombos-correio'
Batizada de 'Mensageiros do Crime', a operação identificou uma 'rede de comunicação estruturada' que utilizava advogados para transmitir ordens de chefes do crime presos para integrantes das facções, dentro e fora do Ceará. As investigações começaram após decisão do Tribunal de Justiça do Estado, em novembro de 2025, que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios do presídio de segurança máxima.
De acordo com o MPCE, conversas registradas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026 apontaram um padrão reiterado de condutas criminosas entre detentos e advogados, com uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos, como reorganização de facções, expansão territorial, cooptação de membros, aquisição de armas e circulação de drogas.
Mandados cumpridos e bens apreendidos
Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nos municípios de Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Itatinga, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante e São Paulo. Segundo o MPCE, 17 mandados de prisão foram cumpridos contra chefes de facção criminosa, sendo que 15 já estavam presos e dois em liberdade. A operação resultou no bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados, além da apreensão de bens, incluindo um veículo Range Rover blindado, celulares, notebooks e joias.
Posicionamento da OAB-CE
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará (OAB-CE) informou em nota que acompanha a operação para assegurar a legalidade dos atos e a garantia das prerrogativas profissionais. 'A OAB Ceará repudia qualquer tentativa de criminalização do exercício profissional e ressalta que o acompanhamento institucional não representa qualquer juízo de valor sobre os fatos investigados', diz a nota. A OAB-CE acrescenta que, confirmada a participação de advogados em condutas incompatíveis com a ética, serão adotadas medidas no Tribunal de Ética e Disciplina.



