Operação contra TCP que expulsava moradores para tomar imóveis no Rio
Operação mira TCP que expulsava moradores no Rio

Uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) mira um braço do Terceiro Comando Puro (TCP) que expulsava moradores de suas próprias casas e extorquia comerciantes na região central do Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (12), foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão contra o grupo, que buscava expandir o domínio do Complexo de São Carlos para bairros vizinhos, como a Cidade Nova.

Áudio revela violência

Em um áudio obtido pela polícia, um bandido afirma: “O Marlon tava mandando eu jogar até o coroa pro alto e agarrar o imóvel.” A frase ilustra a violência usada para forçar a desocupação de imóveis.

Tática de asfixia

Segundo a Draco, a tática do TCP era asfixiar moradores e comerciantes para forçar a desocupação. “O tráfico de drogas desse complexo estava exigindo taxas exorbitantes para continuar o funcionamento, e com isso os comerciantes e moradores se viam obrigados a entregar o imóvel ou ser retirados mesmo”, informou o delegado Jefferson Ferreira. “Pessoas ligadas a essa organização invadiam o imóvel e se diziam ali legítimos possuidores”, completou.

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Imóveis usados para lavagem de dinheiro

A polícia afirma que esses locais se tornavam “patrimônio da facção” e eram usados para lavar o dinheiro do tráfico. Os investigadores encontraram escrituras forjadas em cartório para dar aparência de legalidade aos imóveis invadidos. “Eles declaravam falsamente que exerciam a posse ali, induzindo a erro as pessoas que estavam comprando esses imóveis”, detalhou o delegado.

Envolvimento de advogada e traficante de Minas

Segundo a polícia, os criminosos consultavam uma suposta advogada para tirar dúvidas sobre como regularizar os imóveis. As investigações apontam que um traficante de Minas Gerais que atua no São Carlos supervisiona as cobranças da população no entorno do complexo. Rafael Carlos da Silva Ferreira, o Parazão, coordena a venda de armas entre Minas e Rio.

Chefes do TCP

A polícia descobriu ainda que o principal chefe do São Carlos, Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, age de dentro da cadeia. Além dele, Leonardo Miranda da Silva, o Léo Empada, e Marcílio Cheru de Oliveira também fazem parte do núcleo de comando da facção na comunidade.

Bloqueio de bens

A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 60 milhões e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens apontados como parte do esquema de ocultação patrimonial da organização.

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