A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (16) uma operação contra a facção criminosa venezuelana Tren de Aragua em seis estados brasileiros. A organização, que utiliza Roraima como corredor para o tráfico internacional de armas, teve seus braços operacional e financeiro como alvos da ação.
Investigação começou com apreensão de fuzis
A operação, batizada de Rota Norte, é resultado de investigações que tiveram início após a apreensão de fuzis de origem americana na Operação Kapok, em novembro de 2024. A partir desse evento, a Polícia Civil identificou que a Tren de Aragua usava o estado de Roraima como rota para o envio de armamentos a outros destinos no Brasil.
Mandados e apreensões
São cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas. A operação ocorre simultaneamente em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
Até as 10h30 (horário local), a polícia já havia apreendido um carro de luxo avaliado em R$ 1 milhão, dólares e uma máquina de contar dinheiro. Dos mandados de prisão, 15 foram expedidos para Roraima.
O delegado Hugo Cadias, que participa da operação, informou: "Até o momento, nós fizemos a apreensão de alguns valores em dólares, alguns valores também em reais, que totalizando podemos chegar a quase R$ 400 mil, fazendo a conversão. Também apreendemos no estado do Rio de Janeiro um veículo de alto valor, no caso, um Porsche."
Armamento de guerra
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado fornece armamento de guerra, como metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, para outras organizações criminosas do país. O esquema abastece grupos como o Comando Vermelho no Amazonas e no Rio de Janeiro.
As investigações apontam que os alvos em Roraima atuam em nível intermediário da estrutura financeira da facção, enquanto os principais líderes do braço responsável por ações violentas estão no estado.
Atuação internacional da Tren de Aragua
Fundada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile, com crimes que incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas. No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho.
A operação Rota Norte é conduzida pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), em Boa Vista, e conta com o apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.



