A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (30) a Operação Extensão, mirando Leonardo dos Santos Pires, conhecido como "Sapateiro" ou "Maresias", apontado como um dos líderes do Comando Vermelho na região norte do estado. As investigações indicam que ele continua ordenando crimes de dentro do sistema penitenciário federal, mesmo após acumular mais de 245 anos em condenações. Atualmente, restam 218 anos de prisão a cumprir.
Mandados e bloqueio de valores
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Sinop, a 503 km de Cuiabá. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 55 mil das contas de um dos investigados, valor que, segundo as investigações, pode estar ligado às atividades do grupo criminoso. A operação contou com apoio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop e foi baseada em investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Draco de Cuiabá, que apuram organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Influência mesmo preso
As investigações começaram em 2024, após a transferência de Leonardo para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Mesmo encarcerado, ele continuava exercendo influência sobre as ações da facção, segundo a polícia. Os suspeitos cumpriam funções estratégicas, como distribuição de dinheiro obtido com atividades ilegais, apoio logístico, habilitação de linhas telefônicas, ocultação de patrimônio e uso de terceiros para dificultar o rastreamento dos recursos.
Crimes anteriores
A maior parte dos inquéritos envolvendo Leonardo é de crimes cometidos em Sinop. Em 2023, ele e Viner dos Santos Alves foram condenados por homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada, com penas de 32 anos para Pires e 14 anos, seis meses e 15 dias para Alves. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a ordem para execução partiu de Leonardo, que estava recolhido na Penitenciária Central do Estado (PCE) na época.
Morte de adolescente grávida
Leonardo também ordenou a morte de Guilherme Felipe Oliveira de Moura, de 22 anos, que resultou na morte da companheira dele, Marina Azevedo Campos, de 17 anos, grávida e atingida por cinco tiros durante uma troca de tiros em julho de 2022. A investigação apontou que o alvo era Guilherme. Pelo duplo homicídio, Leonardo foi condenado a 42 anos de prisão.
Assassinato de ex-jogador de futebol
Em setembro de 2021, o ex-zagueiro do Sinop Futebol Clube, Willian Santana, de 21 anos, foi sequestrado a caminho de uma festa de casamento e encontrado morto no dia seguinte, perto de um rio na BR-163, em Sinop. Segundo a Polícia Militar, ele foi morto a tiros. Suspeitos confessaram que Willian foi assassinado a mando de uma facção criminosa que o acusava de um suposto estupro, fato não comprovado na investigação. Três homens e duas mulheres, além do mandante, foram presos. Em novembro de 2023, o grupo foi julgado e recebeu penas que somam 122 anos de prisão, sendo a maior condenação de Leonardo, com 40 anos.
Morte de comerciante
Em 2019, o comerciante Luiz Ney da Silva, de 54 anos, foi morto a tiros dentro do próprio estabelecimento em Sinop. Testemunhas relataram que dois homens estacionaram uma motocicleta do outro lado da rua, atravessaram, foram até o mercado e efetuaram os disparos, fugindo em seguida.
Objetivos da operação
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais buscaram apreender celulares, documentos, mídias e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações, além de identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e reforçar as provas dos crimes investigados. Leonardo foi preso pela primeira vez por um roubo ocorrido em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.



