A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (6), mais uma fase da Operação Contenção, direcionada contra a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e sua estrutura de lavagem de dinheiro. O foco agora é o aumento expressivo dos roubos de veículos na região central da cidade, que, segundo as investigações, tornou-se uma peça-chave no financiamento da facção. Ao todo, agentes cumprem 98 mandados de prisão contra integrantes do grupo que atuam no Complexo do Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa.
Aumento de 60% nos roubos
De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA), embora o município do Rio de Janeiro apresente queda nos índices consolidados desse tipo de crime, as áreas sob influência da facção registraram crescimento consistente das ocorrências. Um estudo comparativo entre os períodos de janeiro a julho de 2025 e janeiro a julho de 2026 revelou aumentos expressivos: Santa Teresa teve alta de 58,3%, o Centro registrou 17,4% de crescimento, e a Tijuca (CISP 19) apresentou aumento de 15%.
“Embora o Município do Rio de Janeiro apresente redução dos índices consolidados desse tipo de crime, as regiões situadas no entorno da área de influência da facção registraram crescimento consistente das ocorrências”, destacou a DRFA em nota.
Novo modelo de atuação
Segundo a DRFA, a ação desta quarta-feira é resultado de uma investigação que identificou uma “mudança no modelo de atuação da organização criminosa”. A facção, que antes se concentrava no tráfico de drogas, passou a utilizar o roubo de veículos como importante fonte de financiamento de suas atividades ilícitas, ampliando sua capacidade operacional e fortalecendo sua estrutura criminosa.
“Além da exploração do tráfico de drogas, a facção passou a utilizar o roubo de veículos como importante fonte de financiamento de suas atividades ilícitas, ampliando sua capacidade operacional e fortalecendo sua estrutura criminosa”, explicou a polícia.
Denúncia do MPRJ e domínio social
Uma denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) descreve uma associação para o tráfico “com rígida divisão de funções, hierarquia definida, controle territorial e atuação coordenada entre seus integrantes”. A polícia detalha que a facção não se limita ao controle armado das comunidades, mas busca expandir sua influência sobre o entorno por meio da exploração coordenada de diferentes mercados ilícitos, da intimidação armada, da ocupação de corredores urbanos estratégicos e da obtenção de recursos capazes de financiar sua estrutura e ampliar seu poder de atuação.
“Essa estratégia integra um modelo de domínio social estruturado, no qual a organização criminosa não se limita ao controle armado das comunidades onde atua. A facção busca expandir sua influência sobre o entorno por meio da exploração coordenada de diferentes mercados ilícitos, da intimidação armada, da ocupação de corredores urbanos estratégicos e da obtenção de recursos capazes de financiar sua estrutura e ampliar seu poder de atuação”, descreveu a polícia.
Financiamento contínuo
As investigações apontaram que os veículos subtraídos abasteciam diferentes atividades ilícitas, como desmanches clandestinos, comercialização ilegal de peças e utilização em outras ações criminosas, “criando um ciclo permanente de financiamento que reforçava a capacidade operacional da organização”. Esse ciclo permitia à facção reinvestir os lucros em armas, logística e expansão territorial, consolidando seu domínio na região central do Rio.
A Operação Contenção já teve fases anteriores voltadas ao combate à expansão territorial do CV e à lavagem de dinheiro. Esta nova etapa, no entanto, é a primeira a focar especificamente no roubo de veículos como estratégia econômica do grupo. As investigações continuam em andamento para identificar outros envolvidos e desarticular completamente a estrutura financeira da facção.



