Operação com lanchas contra farra do boi em Florianópolis cumpre 9 mandados
Operação com lanchas contra farra do boi em Florianópolis

As polícias Civil e Militar Ambiental deflagraram nesta quinta-feira (16) uma operação contra suspeitos de participarem da farra do boi em Florianópolis. Devido ao difícil acesso à Costa da Lagoa, tradicional comunidade isolada de pescadores, os agentes utilizaram lanchas para cumprir oito mandados de busca e apreensão no local. No total, foram nove mandados na cidade. A farra do boi é crime e associa o animal à figura do mal, com perseguição pelas ruas até a exaustão.

Desdobramento de operação anterior

Segundo o delegado Alex Bonfim, a ação é um desdobramento da operação deflagrada em maio deste ano, que apurava um evento de farra do boi na região no início de 2026. Na manhã desta quinta, foram apreendidos celulares, documentos e aves que não possuíam registro. As espécies serão analisadas para verificar se estão em conformidade com a legislação ambiental.

"Elas não apresentavam anilhas, eram animais silvestres. Então, elas foram apreendidas e agora vão ser encaminhadas ao Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres] para verificar a viabilidade delas serem reintegradas na natureza", afirmou o delegado.

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Contexto histórico da farra do boi

Em março deste ano, em entrevista ao g1, o historiador Francisco do Vale Pereira explicou que a figura do boi ou do touro está presente em diversas sociedades e culturas ao redor do mundo. Em Santa Catarina, a prática foi comum no passado, especialmente nas comunidades do litoral catarinense. Pereira ressaltou que essa manifestação não possui relação com a figura de Judas, mas sim com a representação simbólica do demônio ou do mal.

"Se praticava essas brincadeiras e esse grande desafio de, digamos, transportar, de identificar naquela figura do animal, a figura do demônio, do poder, do mal. A associação não é direta ao Judas, mas sim ao demônio. Não, não tem nada a ver com Judas. A malhação do Judas, inclusive, é uma tradição cristã, religiosa, de muitos povos que tem a ver exclusivamente com aquele que foi o traidor", explicou o historiador.

Combate à prática e legislação

Em 1997, o Supremo Tribunal Federal (STF), através do Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101, proibiu a farra do boi em território catarinense. Segundo a interpretação do STF, a prática é intrinsecamente cruel e por isso é qualificada como crime. Conforme o órgão, é obrigação do estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações, "mas isso não o isenta de observar a norma constitucional que proíbe a submissão de animais à crueldade".

Em 1998, foi aprovada a Lei de Crimes Ambientais, que passou a punir quem pratica, colabora, ou no caso das autoridades, omite-se em impedir atos de crueldade contra animais. A farra do boi pode gerar multa de até R$ 20 mil, conforme reportagens anteriores.

Operação anterior e indiciamentos

Em maio, uma operação contra a farra do boi resultou em 40 indiciados. A prática, que associa o boi a símbolo do mal, continua sendo alvo das autoridades. A operação desta quinta-feira reforça o combate a essa tradição cruel, com o uso de lanchas para acessar áreas de difícil alcance.

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