Pelo menos oito adolescentes, com idades entre 12 e 14 anos, denunciaram ter sido vítimas de assédio sexual cometido por um professor de Educação Física em uma escola da rede municipal de Cariacica, na Grande Vitória, Espírito Santo. O servidor, que também atuava como coordenador da unidade, foi afastado das funções após as denúncias. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso, que também é acompanhado pelo Conselho Tutelar.
Detalhes das denúncias
Os nomes do professor, da escola e do bairro onde fica a unidade de ensino não estão sendo divulgados para preservar a identidade das vítimas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo os relatos, os casos aconteceram entre o fim de maio e o início de junho. De acordo com o Conselho Tutelar de Cariacica, as oito adolescentes afirmam ter sofrido diferentes formas de abuso dentro da escola. Duas vítimas já foram ouvidas oficialmente, e outras estudantes ainda prestarão depoimento. A expectativa do órgão é que novos casos possam surgir após o retorno das aulas, já que algumas adolescentes ainda estariam com medo de denunciar.
Ameaças e relato de vítima
Uma das vítimas relatou, em boletim de ocorrência registrado pelo pai, que o professor a ameaçou durante cerca de um mês para que ela não contasse o que acontecia. Segundo o documento, o investigado teria dito: "Se você falar com alguém, pode acontecer coisa pior". A adolescente também afirmou que o professor a perseguiu até o banheiro feminino da escola e que, em uma das ocasiões, chegou a apertar o pescoço dela. O pai de uma das estudantes envolvidas no caso reforçou a importância do diálogo na família: “Estamos apoiando nossa filha da melhor forma possível, tanto afetivamente quanto psicologicamente", afirmou.
Declarações do Conselho Tutelar
Segundo o conselheiro tutelar Marcos Fonseca, algumas estudantes só decidiram denunciar os episódios depois de serem incentivadas por colegas que também relataram ter sido vítimas. "São relatos absurdos de passar a mão nas partes íntimas, passar a mão nos seios, puxar e beijar à força. Nos dias de hoje, ainda temos maus profissionais agindo de má-fé contra crianças e adolescentes", disse. O conselheiro também alertou para a importância da prevenção: "Em um ambiente de ensino e educação, a gente tem ainda maus profissionais agindo de má-fé contra crianças e adolescentes. Pedófilos e abusadores estão em todos os lugares, a gente tem sim que orientar nossos filhos. E as escolas têm que trabalhar essa temática sobre abuso sexual infantil".
Providências da Secretaria de Educação
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Cariacica informou que afastou o professor assim que recebeu a denúncia. Afirmou ainda que instaurou procedimento administrativo interno e que o servidor permanecerá afastado das funções até a conclusão das investigações. A Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) instaurou inquérito policial e determinou diligências para apurar os fatos. Como o caso envolve menores de idade, a investigação tramita sob sigilo.
Professor também atuou na Serra
Após surgirem informações de que o professor também teria trabalhado na rede municipal da Serra, na Grande Vitória, a Secretaria de Educação do município informou que ele é servidor efetivo desde 2010 e está em regime de permuta com Cariacica desde novembro do ano passado. A secretaria afirmou ainda que não há registro de denúncias formais contra o professor enquanto atuou no município.



