O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Corte aplicará rigorosamente as normas contra robôs e manipulações digitais nas eleições de 2026. Em reunião com representantes de plataformas digitais, ele cobrou ações preventivas das big techs, mas rejeitou qualquer medida que possa limitar o debate político.
TSE reforça combate a redes inautênticas e IA
Durante o encontro, realizado em Brasília, Nunes Marques destacou que o TSE está focado em prevenir manipulações digitais, especialmente o uso de redes inautênticas e inteligência artificial (IA) generativa. O ministro enfatizou que a Corte não pretende censurar ou uniformizar o debate político, mas sim garantir a integridade do processo eleitoral.
Segundo o presidente do TSE, as normas já existentes serão aplicadas com rigor, e as plataformas devem cooperar para antecipar riscos. "Não se trata de limitar a liberdade de expressão, mas de assegurar que o debate seja autêntico e livre de interferências artificiais", afirmou Nunes Marques.
Cobrança por ação preventiva das big techs
O ministro cobrou das grandes empresas de tecnologia uma postura proativa no combate a robôs e perfis falsos. Ele sugeriu que as plataformas desenvolvam mecanismos para identificar e remover conteúdos gerados por IA que possam enganar eleitores. "A responsabilidade não é apenas do TSE; as big techs têm um papel crucial na prevenção", declarou.
A reunião contou com representantes de empresas como Google, Meta, Twitter e TikTok, que se comprometeram a colaborar com a Corte. Entre as medidas discutidas estão a transparência em anúncios políticos e a rotulagem de conteúdos gerados por IA.
Rejeição a limitação do debate político
Nunes Marques foi enfático ao rejeitar qualquer proposta que possa restringir o debate político. "O TSE não quer uniformizar o pensamento ou criar uma bolha de conteúdo permitido. Nosso objetivo é coibir fraudes e manipulações, não cercear opiniões", explicou.
A declaração ocorre em meio a críticas de setores que temem que o combate à desinformação possa ser usado para censurar opositores. O ministro garantiu que todas as ações serão baseadas em critérios técnicos e legais, respeitando a liberdade de expressão.
Desafios da IA generativa
O uso crescente de IA generativa, capaz de criar textos, imagens e vídeos realistas, preocupa o TSE. Nunes Marques destacou que a tecnologia pode ser usada para produzir conteúdo falso em larga escala, dificultando a identificação de desinformação. "Estamos atentos a esse novo desafio e trabalhando com especialistas para desenvolver ferramentas de detecção", afirmou.
A Corte também estuda parcerias com universidades e centros de pesquisa para aprimorar a fiscalização. O objetivo é fortalecer a confiança digital sem recorrer à censura, equilibrando inovação e segurança eleitoral.
Cooperação para eleições seguras
O encontro com as big techs faz parte de uma série de iniciativas do TSE para as eleições de 2026. A Corte busca estabelecer um canal permanente de diálogo com as plataformas, visando antecipar riscos e agir de forma coordenada. "A cooperação é essencial para que possamos garantir eleições livres e justas", concluiu Nunes Marques.



