A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (28), uma nova perícia no apartamento onde a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo foi encontrada morta, em Belo Horizonte. As diligências complementares integram a investigação do caso, tratado como feminicídio. Segundo a corporação, o imóvel permanecerá isolado até a conclusão dos trabalhos.
Equipe chega ao local e conclui trabalhos pendentes
A equipe da Polícia Civil chegou ao prédio por volta das 14h. A delegada responsável pelo caso, Ana Paula Rodrigues, e investigadores estiveram no apartamento acompanhados de um tio da vítima, Marlon de Carvalho Leão. Eles permaneceram no local por cerca de duas horas. De acordo com a delegada, os trabalhos desta terça-feira tiveram como objetivo concluir diligências e perícias que ainda estavam pendentes.
“Hoje foram realizados trabalhos periciais complementares, algumas diligências faltantes que estavam pendentes aqui no local e foram concluídas na data de hoje, mas que serão explicitadas ao final de todo o procedimento com o relatório final, quando poderemos dar maiores detalhes”, afirmou Ana Paula Rodrigues.
Vistoria de veículo e oitiva de testemunhas
Além dos objetos recolhidos no apartamento, a Polícia Civil também periciou o carro de um homem que participou da festa realizada na noite anterior à morte de Michele. O veículo permanecia na garagem do prédio desde então. Segundo a delegada, nada de interesse para a investigação foi encontrado no automóvel, e o proprietário foi autorizado a retirá-lo. O homem deverá prestar depoimento como testemunha.
“Estão sendo ouvidas as testemunhas ainda. Então, provavelmente ele vai ser uma das testemunhas, porque aqueles que estavam na festa estão sendo ouvidos e estarão no inquérito com o depoimento de todos eles”, disse Ana Paula Rodrigues.
Relembre o caso: morte da capitã
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo morreu na noite de 20 de julho. Ela foi levada já sem vida pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. O militar foi preso em flagrante depois que a equipe médica identificou múltiplos ferimentos pelo corpo da policial, além de um corte profundo na região frontal da cabeça. Segundo a Polícia Civil, os sinais apresentados pela vítima eram compatíveis com violência. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Em depoimento, Eduardo Abner negou ter cometido qualquer crime. Segundo ele, o casal havia consumido bebidas alcoólicas e drogas durante uma festa realizada no apartamento onde moravam. O sargento afirmou que os ferimentos ocorreram durante práticas sexuais consensuais e disse ainda que Michele caiu de uma escada e bateu a cabeça. Os primeiros levantamentos da investigação, no entanto, indicaram que Michele havia morrido entre quatro e seis horas antes de dar entrada no hospital. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
O que a investigação já encontrou
Durante as primeiras diligências no apartamento, investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado, encontrado no lixo próximo à saída de emergência do prédio. Segundo o boletim de ocorrência, o objeto pode ter sido utilizado nas agressões. A polícia também constatou que as roupas de cama haviam sido retiradas da cama e estavam limpas, ainda molhadas, dentro da máquina de lavar. O carro de Eduardo Abner também foi apreendido e já passou por perícia.
Esta foi a segunda vez que equipes da Polícia Civil estiveram no apartamento desde o início da investigação. Os primeiros trabalhos ocorreram ainda na madrugada do dia em que o caso foi registrado. Segundo a delegada, novas diligências ainda podem ser realizadas. Por isso, o apartamento permanecerá interditado pelos próximos dias, até a conclusão da investigação.
Laudo do IML e reação da família
Segundo a Polícia Civil, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), que deve apontar oficialmente a causa da morte de Michele Leão Azevedo, deverá ser concluído nos próximos dias. O novo advogado de Eduardo Abner acompanhou os trabalhos da perícia nesta terça-feira (28), mas preferiu não conceder entrevista. Ao deixar o prédio, o tio da capitã, Marlon de Carvalho Leão, afirmou que a família aguarda a conclusão da investigação.
“A família está consternada. É um negócio violento demais. Ninguém esperava por isso. Foi chocante para todo mundo. No velório, amigos da farda, desde o soldado até o coronel, estavam estarrecidos e revoltados com tudo o que aconteceu”, declarou.



