A influenciadora digital Nicolly Evangelista do Carmo, de 34 anos, conhecida como Nick Frazão, foi presa nesta segunda-feira (17) em Paciência, na Zona Oeste do Rio, por suspeita de roubo. A ação, conduzida pela 17ª DP (São Cristóvão), com apoio da 28ª DP (Praça Seca) e da 44ª DP (Inhaúma), cumpre mandado de prisão temporária de cinco dias, expedido pelo plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio. A investigação aponta que a influenciadora teria participado de um assalto a um homem que contratou um programa sexual na região da Rua Ceará, em São Cristóvão. Segundo o relato da vítima, ela foi levada a um Hyundai Creta azul, agredida, teve um cordão de ouro avaliado em cerca de R$ 14 mil roubado e foi empurrada para fora do veículo. A vítima reconheceu Nicolly por fotografia e identificou o perfil dela nas redes sociais.
Um histórico de passagens pela polícia desde 2011
A prisão desta segunda-feira reacende um histórico criminal que remonta a 2011, quando Nicolly, então identificada como Marlon Evangelista do Carmo, antes da transição, foi presa em flagrante por furtar um turista em Copacabana. Dois anos depois, em 2013, ela foi apontada em investigação da 5ª DP (Mem de Sá) como integrante de uma quadrilha que atuava nos arredores dos Arcos da Lapa, agredindo e roubando vítimas com estiletes. Na ocasião, o EXTRA noticiou o caso de um estudante de 21 anos que levou 100 pontos no rosto, pescoço, barriga e virilha após tentar recuperar o celular roubado. "Eu achava que elas estavam só me batendo, não senti os cortes", lembrou o rapaz. Nicolly e outra integrante do grupo estavam foragidas, e a polícia já apontava um padrão de atuação concentrado nas madrugadas de quinta a sábado.
Em 2014, ela passou a ser investigada por rufianismo e favorecimento à prostituição, sendo presa em Guarulhos (SP) a partir de um mandado expedido no Rio, segundo o G1. O processo que resultaria em sua condenação definitiva teve início em 2019, após um roubo na Avenida Mem de Sá deixar uma vítima hospitalizada com ferimentos provocados por estilete no rosto. Nicolly foi condenada a 8 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão em regime fechado, conforme mandado expedido pela 29ª Vara Criminal da Capital.
Investigações recentes e o caso de 2023
Em 2023, uma vítima relatou à polícia ter sido perseguida e ameaçada por Nicolly em Campo Grande, na Zona Oeste, afirmando que ela era conhecida como "dona da prostituição de travestis" na região. Segundo o relato, a vítima teria sido atingida com spray de pimenta e proibida de frequentar o calçadão do bairro. Já em 2024, ela chegou a ser presa pela Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme) em um processo por roubo que foi arquivado um ano depois.
Na prisão desta segunda-feira, os policiais apreenderam no imóvel de Nicolly um Hyundai Creta azul, que teria as mesmas características descritas em dois inquéritos da 17ª DP, além de um bastão de beisebol com estampa da Barbie, um bastão retrátil, spray de pimenta e uma faca. Os investigadores identificaram semelhanças entre o caso e outro inquérito em andamento sobre roubos na região da Quinta da Boa Vista.
Ostentação e podcast: a imagem pública de Nick Frazão
Nas redes sociais, Nicolly construía uma imagem de luxo que contrastava com o histórico criminal. Seu perfil, marcado como "figura pública", reúne 103 mil seguidores e 39 publicações, com destaques de viagens a Brasil, Dubai, França, Reino Unido e Ilhas Maldivas. A bio também informa que a conta já foi derrubada três vezes. Ela apresenta o PodTmais+, que soma 23,9 mil seguidores e se define como espaço para "conversas que inspiram, provocam e divertem", com um quadro de conotação picante chamado "Cospe ou Engole".
As publicações fixadas mostram Nicolly em cenários de luxo nas Maldivas, com biquínis e acessórios de grife, e uma foto na Torre Eiffel, em Paris. Outros posts recentes registram a comemoração pela marca de 100 mil seguidores e encontros com amigas. Ensaios fotográficos, maquiagem elaborada, roupas de festa, joias e presença frequente em camarotes fazem parte do conteúdo publicado.
Prisão temporária e próximos passos
A prisão foi decretada em caráter temporário, pelo prazo de cinco dias, com base em suspeita de roubo. A ação é um instrumento para viabilizar a investigação, distinta da condenação por roubo de 2019 que já havia motivado sua prisão em 2024. O EXTRA tenta contato com a defesa da influenciadora.



