Mulher espancada e finge de morta após acusação de denunciar tráfico no ES
Mulher espancada e finge de morta após acusação de denúncia

Uma mulher de 36 anos foi brutalmente espancada e forçada a fingir de morta após ser acusada por traficantes de denunciar o tráfico de drogas em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. O crime ocorreu no dia 29 de abril, no bairro Bela Vista, e resultou na prisão de um homem de 23 anos nesta terça-feira (3), apontado como mandante da tortura.

Detalhes da agressão

De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi abordada por dois homens, de 23 e 24 anos, e um adolescente de 15 anos. Eles a agrediram com barras de ferro, quebrando uma de suas pernas. A tortura teria sido motivada por uma apreensão de drogas e dinheiro realizada pela Polícia Militar no dia anterior ao crime. O delegado Felipe Vivas, titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro de Itapemirim, explicou que os criminosos suspeitavam que a mulher estivesse colaborando com as forças de segurança.

“Esses indivíduos a agrediram por suspeitar que ela estava cooperando com as forças de segurança. No dia anterior à tortura, a Polícia Militar realizou uma diligência no bairro Bela Vista, resultando em uma grande apreensão de drogas e R$ 35 mil em espécie. Esses indivíduos, que sofreram esse prejuízo, deduziram que essa mulher fosse a responsável por delatar”, afirmou o delegado.

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Ordem partiu de liderança do tráfico

Segundo Vivas, a ordem para a agressão partiu de uma liderança do tráfico local conhecida como “Fazendinha”. Os agressores exigiram que a vítima entregasse e desbloqueasse o celular para verificar se havia mensagens com a polícia. “Não havia, então eles passaram a agredi-la com barras de ferro e exigiram o tempo todo que ela confessasse. Quando viram que ela não confessava, cessaram as agressões. Levaram o telefone dela e ameaçaram que se ela falasse com alguém, sofreria consequências”, relatou o delegado.

Socorro e prisões

Após as agressões, a mulher foi socorrida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), acionadas por moradores da região. Ela está em situação de vulnerabilidade, segundo o delegado. Os três executores da tortura foram presos em flagrante no dia 30 de abril, um dia após o crime. Já a prisão do suposto mandante ocorreu nesta terça-feira, após trabalhos de inteligência do Centro de Inteligência e Análise Telemática do Sul (Ciat Sul) e da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc).

Durante a operação, os policiais localizaram também Lucas Ribeiro, de 25 anos, foragido da Justiça havia cerca de dois anos por envolvimento em um homicídio ocorrido em 3 de fevereiro de 2024. Ele não tem participação no espancamento da mulher, mas estava fazendo a segurança do mandante. Lucas havia retornado ao Espírito Santo após dois comparsas morrerem em um confronto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro em outubro de 2025.

Consequências legais

Ao final do inquérito, o homem apontado como mandante deverá responder pelos crimes de tortura qualificada, roubo majorado, corrupção de menores, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Já os outros jovens que participaram do crime vão responder por tentativa de homicídio. A mulher que foi torturada está sendo amparada pelo estado.

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