Mulher de 38 anos que se passou por adolescente em SC enganou polícia de Jundiaí em 2022
Mulher de 38 anos enganou polícia de Jundiaí se passando por adolescente

Uma mulher de 38 anos, que se apresentou como uma adolescente de 12 anos em Santa Catarina, também enganou guardas municipais e a polícia de Jundiaí (SP) em 2022. Amanda Maria Souza de Oliveira construiu na cidade uma história repleta de elementos fantasiosos para ludibriar autoridades e ser acolhida pela rede municipal de proteção à criança. O caso gerou um inquérito por falsidade ideológica, e ela responde atualmente a ação penal na 3ª Vara Criminal da cidade pelo crime previsto no artigo 299 do Código Penal.

Detalhes do caso em Jundiaí

Segundo o boletim de ocorrência, registrado no 1º Distrito Policial de Jundiaí, Amanda abordou dois guardas municipais e disse ser vítima de uma rede criminosa em Fortaleza (CE). Ela se identificou como Ana Clara dos Santos Oliveira, nascida em 22 de dezembro de 2009. A partir daí, os relatos foram se tornando cada vez mais detalhados e perturbadores.

De acordo com o documento, ela afirmou aos guardas municipais que havia sido mantida em cárcere privado desde os seis anos de idade, quando teria começado a ser obrigada a se prostituir. Disse ainda que recebia injeções de hormônio constantemente para suportar os abusos sexuais. A mulher alegou que nunca frequentou escola nem recebeu atendimento médico em hospital, apenas em clínicas clandestinas. Disse que sua suposta mãe a teria ensinado a ler e escrever apenas para poder assinar papéis, e que havia chegado a Jundiaí a bordo de um caminhão, trazida por um motorista arrependido de manter relações com crianças.

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Série de fantasias: rituais, bebês sacrificados e políticos envolvidos

Ainda conforme o boletim de ocorrência, Amanda alegou que, no local onde era mantida em cárcere, havia diversas crianças a partir dos seis anos de idade vivendo como escravas sexuais, tomando hormônios. Segundo ela, quando essas crianças cresciam e deixavam de ser rentáveis, eram descartadas em forma de rituais de magia negra.

Ela disse ainda que, por ter ingerido muitos hormônios e ficado aparentemente obesa, também estava sendo encaminhada para esses rituais, nos quais, segundo suas palavras, via bebês sendo oferecidos em sacrifício. Outra alegação é de que era constantemente castigada com torturas físicas quando não queria fazer programas.

Amanda afirmou ainda que a suposta rede de exploração infantil era muito sigilosa, voltada a pedófilos, em busca de crianças de até 14 anos, e que os responsáveis seriam muito poderosos, incluindo políticos e autoridades, o que explicaria, segundo ela, a capacidade de ocultar os crimes. Quando questionada sobre o endereço em Fortaleza, disse que o local ficava no bairro Conjunto Ceará, próximo a um cemitério, mas que não conseguia precisar a rua por nunca poder sair sozinha. Afirmou que vivia reclusa, sem acesso a televisão, e que o único contato com o mundo externo eram filmes pornográficos aos quais era obrigada a assistir.

Falsidade ideológica

Apesar da riqueza de detalhes, o próprio boletim de ocorrência registra que foram feitas diversas pesquisas nos bancos de dados de pessoas físicas via Infoseg e que as informações fornecidas pela vítima não foram encontradas. Após dias acolhida na instituição, a verdadeira identidade de Amanda foi revelada pela Polícia Civil.

A delegada Aline Nery Bonchristiani, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí, concluiu após investigações que a mulher não tinha 12 anos, mas, sim, 34 na época. Ela é ré por falsidade ideológica na 3ª Vara Criminal de Jundiaí. O caso na cidade paulista ocorreu em agosto de 2022. Ao se identificar como Ana Clara dos Santos Oliveira, ela contou a história de exploração sexual que mobilizou toda a rede de proteção à criança e ao adolescente do município.

O inquérito policial foi instaurado em 2 de setembro de 2022 com base no crime de falsidade ideológica, pelo qual Amanda foi formalmente indiciada. A denúncia foi recebida pela Justiça em junho de 2023. No entanto, a ré foi citada por edital, não compareceu e não constituiu advogado.

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Prisão em Santa Catarina

Amanda foi presa em 2 de junho por suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos e viver por 14 meses como filha adotiva na casa de uma família em Joinville (SC). A menina dizia se chamar Gabriele e foi detida na casa das vítimas, no distrito de Pirabeiraba. Segundo a Polícia Civil, a suspeita tem antecedentes por golpes idênticos em outros estados e confessou o crime. Ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.