Um vídeo publicado nas redes sociais pela nutricionista Renata Magalhães mostra como Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa em Joinville (SC), fingia ter 12 anos e estudava o comportamento de adolescentes autistas para aplicar o golpe. A mulher, que se passava por criança para ser adotada por famílias, pesquisava na internet como imitar sinais, atitudes e reações de uma pessoa com autismo.
Como a farsa foi descoberta
Renata Magalhães, que foi vítima do mesmo golpe no Rio de Janeiro em 2023, divulgou registros em que Amanda aparece imitando a voz de uma criança. Em um dos vídeos, ela interage com a mãe da nutricionista: “Eu só queria dizer que a senhora é linda, especial. Eu amei a senhora. A senhora já mora no meu coração”. O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor público nomeado para a suspeita, informou que ela passará por exames de sanidade mental.
Histórico de pesquisas no celular
De acordo com Renata, a polícia encontrou no celular de Amanda um histórico de pesquisas sobre comportamento autista e técnicas de desenho emocionalmente apelativas. “O celular dela estava cheio de buscas. Pesquisava como se comportava um autista, como fazer desenhos para emocionar pessoas evangélicas e, para piorar: o histórico de filmes pornográficos era imenso”, revelou a nutricionista.
O golpe em Joinville
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, Amanda conviveu com uma família de Joinville por 14 meses, apresentando-se como Gabriele. Ela se aproximou por intermédio de um pastor, inicialmente dizendo ter 18 anos e buscando emprego. Com o tempo, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, sendo acolhida temporariamente. Depois, afirmou ter 11 anos e ser vítima de abusos. O casal chegou a organizar uma festa de 12 anos para ela.
Confissão e outros crimes
Em depoimento, Amanda confessou ter aplicado o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, a polícia investiga outros dois casos em Florianópolis e Chapecó. Ela foi indiciada por estelionato e falsa identidade, com prisão preventiva decretada.
Vômito de agulhas
Renata também relatou que presenciou Amanda vomitar agulhas em várias ocasiões. Exames de raio-X feitos em 2024, em Goiás, mostraram esses objetos espalhados pelo corpo dela. “Ela vomitava a agulha. É uma coisa bizarra. Tenho visto muita gente rindo e fazendo piada na internet, mas ela é uma estelionatária, uma narcisista, uma mulher perigosa”, desabafou.



