MPF cobra ações contra garimpo ilegal em terra indígena em MT
MPF cobra ações contra garimpo em terra indígena Sararé

MPF cobra cumprimento de decisão judicial contra garimpo ilegal em terra indígena

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar o cumprimento de uma decisão judicial que determinou a adoção de medidas para combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. A decisão, proferida em 2022, ainda não foi efetivamente cumprida, segundo o MPF. O órgão solicitou que a União, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentem, no prazo de 15 dias, informações sobre as ações adotadas.

Facção criminosa Comando Vermelho domina garimpo Cururu

Investigações da Polícia Federal apontam que o garimpo conhecido como Cururu, um dos principais pontos de extração ilegal de ouro dentro da terra indígena, passou a ser controlado por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. A partir de 2022, grupos criminosos ampliaram sua atuação no território e, em 2024, avançaram sobre a atividade garimpeira, utilizando a exploração ilegal de ouro como fonte de financiamento. Dados de monitoramento indicam que o território registrou 1.814 alertas de atividade garimpeira, o maior número entre as terras indígenas brasileiras.

Operações de combate em 2025 e rota estratégica para o tráfico

Ao longo de 2025, diversas operações de combate ao garimpo ilegal foram realizadas na região, resultando na destruição de maquinário e de acampamentos utilizados na atividade. Em agosto do mesmo ano, uma operação integrada envolvendo órgãos federais e de três estados foi deflagrada com o objetivo de intensificar o enfrentamento ao garimpo. De acordo com as forças de segurança, a proximidade da área com a fronteira da Bolívia transformou a região em uma rota estratégica para o tráfico de drogas.

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Procedimento administrativo e falta de articulação

Segundo o MPF, o procedimento foi aberto após a constatação de que ainda não houve o cumprimento efetivo da sentença. Os órgãos também deverão esclarecer a suposta falta de articulação na execução do plano de proteção da terra indígena. A medida foi formalizada em portaria assinada pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, e publicada no Diário Oficial de terça-feira (8). A decisão é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo MPF em 2017 contra a União, Funai, ANM, Ibama e Incra. Na ocasião, a Justiça determinou que os órgãos elaborassem e executassem um plano de ação voltado ao enfrentamento do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé.

Conforme a portaria, durante a fase de cumprimento da sentença, os órgãos públicos não comprovaram a efetiva execução das obrigações impostas pela Justiça. O documento também informa que a iniciativa atende a um pedido da Procuradoria da República em Cáceres, responsável pela atuação no caso, que solicitou apoio para definir estratégias e acompanhar a implementação das medidas previstas no plano de ação. O g1 entrou em contato com os órgãos citados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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