O Ministério Público do Amazonas (MPAM) determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar para investigar uma denúncia de violência policial ocorrida em Humaitá, no interior do estado. O caso envolve uma mulher que teria desmaiado dentro de uma viatura após permanecer algemada por um período prolongado durante uma abordagem na madrugada de 22 de junho. A decisão foi tomada pelo promotor de Justiça Weslei Machado, com base em denúncia encaminhada pela Defensoria Pública do Amazonas.
Detalhes da denúncia
Segundo relatos, policiais foram acionados para atender uma ocorrência relacionada a um aparelho de som ligado em uma casa no Conjunto Uruapiara, bairro São Cristóvão. A denúncia alega que os agentes entraram na residência, utilizaram força física considerada excessiva e algemaram a mulher, que acabou desmaiando dentro da viatura. O marido da vítima também teria sido agredido com um soco no tórax durante a ação.
Ainda conforme os relatos encaminhados ao MP, a filha do casal presenciou a abordagem, e uma familiar gravou a ação em vídeo. O documento informa que as imagens foram apagadas por policiais militares, mas posteriormente recuperadas pela família. O g1 solicitou posicionamento da Polícia Militar, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Consequências e provas
Após a ocorrência, a mulher foi atendida no Hospital Regional de Humaitá, apresentando dores de cabeça, lesões na mandíbula, hematomas no braço esquerdo, cotovelo direito e costas. O MP informou que ainda não há registro de exame de corpo de delito. Na decisão que determina a investigação, o Ministério Público afirma existirem elementos suficientes para justificar a abertura de um procedimento formal, diante da possível prática de abuso de autoridade, infrações penais militares e infrações disciplinares.
O MP também requisitou a identificação de todos os policiais envolvidos, incluindo um sargento citado na denúncia. A investigação deverá esclarecer a entrada no imóvel, o uso das algemas, a condução da mulher à viatura, a apreensão da caixa de som e as agressões relatadas. O caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas, e o MP solicitou a preservação de todas as provas audiovisuais, como imagens de câmeras corporais, da viatura e o vídeo recuperado pela família.



