MP-SP move ação contra influenciador por discurso discriminatório
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, conhecido como Treinador Financeiro, por um vídeo publicado em 26 de dezembro de 2025 no qual defende que pessoas pobres não deveriam votar. A Promotoria pede a remoção imediata do conteúdo e do perfil do influenciador, além de uma indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos, valor que seria revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Conteúdo do vídeo e argumentação do MP
No vídeo, Marcondes afirma que “pobres não deveriam votar” e que o sufrágio universal prejudica o país. O MP-SP entende que a fala reforça estereótipos negativos contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e constitui aporofobia – aversão a pobres. A ação foi assinada pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos e Cidadania. Segundo o órgão, a publicação atenta contra a dignidade da pessoa humana e o princípio da igualdade, previstos na Constituição Federal. “A liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para discursos de ódio e discriminação”, afirmou o promotor responsável pelo caso.
Pedidos da ação e possíveis consequências
Além da indenização, a ação requer que o influenciador se abstenha de publicar conteúdos semelhantes no futuro, sob pena de multa diária. O MP também solicita que as plataformas de redes sociais sejam notificadas para remover o vídeo e o perfil de Marcondes, caso ele descumpra a decisão judicial. A defesa do influenciador ainda não se manifestou nos autos. O caso tramita na Vara da Infância e Juventude da Capital, já que o conteúdo pode ter atingido menores de idade.
Repercussão e contexto
O vídeo gerou forte reação nas redes sociais, com críticas de entidades de direitos humanos e políticos. O MP-SP destacou que a fala do influenciador não é apenas uma opinião, mas um ato que “estimula a exclusão social e a discriminação”. A ação civil pública é uma das ferramentas utilizadas pelo Ministério Público para coibir práticas discriminatórias e proteger interesses difusos da sociedade. O caso serve como precedente para o debate sobre os limites da liberdade de expressão em plataformas digitais.



