O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) cumpriu, nesta quarta-feira (22), oito mandados de prisão preventiva contra investigados por um esquema de fraude no comércio de café que causou prejuízo superior a R$ 430 milhões aos cofres públicos. A ação integra a Operação Recepa, que apura crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Esquema de sonegação do ICMS
Segundo o MPES, apenas entre 2021 e 2022, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 430 milhões. O grupo mantinha um esquema estruturado para sonegar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na comercialização de café produzido no estado. As investigações apontam que os envolvidos criaram empresas de fachada, conhecidas como "noteiras", para emitir notas fiscais falsas, ocultar a origem do café e dificultar o rastreamento da produção.
Mandados cumpridos em quatro municípios
Os mandados foram cumpridos nos municípios de Colatina, Rio Bananal, Guaçuí e Serra. O MPES não divulgou os nomes dos presos nem das empresas investigadas, pois o caso tramita em segredo de Justiça. A ação contou com o apoio do Gaeco Norte, do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
Prisões foram restabelecidas pela Justiça
As prisões preventivas haviam sido decretadas em novembro de 2025, mas parte dos investigados conseguiu substituí-las por medidas cautelares. No entanto, após o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) restabelecer parte das prisões e o MPES apontar descumprimento de determinações judiciais, a 3ª Vara Criminal de Linhares voltou a decretar a prisão preventiva. A 1ª Câmara Criminal do TJES destacou que organizações criminosas voltadas para crimes econômicos mantêm estrutura permanente e capacidade de reorganização, justificando a manutenção das prisões.
Operação Recepa começou em 2025
A fase ostensiva da Operação Recepa foi deflagrada em 27 de novembro de 2025, quando 16 mandados de prisão preventiva foram cumpridos. Na ocasião, o policial civil Walace Simonassi Borges, lotado em Marilândia, foi preso em Colatina. O MP não detalhou a participação dele. A defesa de Walace afirmou que "não existe nada que desabone a conduta dele" e que demonstrará que o cliente não tem envolvimento com o esquema criminoso.



