MP e polícia de SP fazem operação contra lavagem de dinheiro do PCC
MP e PM de SP em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

A Operação Janus, deflagrada na terça-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), representa o ponto mais recente de uma sequência de investigações que conectam operadores financeiros, integrantes do PCC e agentes públicos suspeitos de facilitar ou proteger atividades da facção. A ofensiva mira uma organização especializada em lavar dinheiro do crime organizado e, pela primeira vez, reúne elementos que indicam uma possível rede de influência envolvendo oficiais de alta patente da Polícia Militar.

Investigação deriva de operações anteriores

A primeira peça desse quebra-cabeça surgiu com a Operação Recidere, deflagrada pela Polícia Federal em 2023 para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que movimentou cerca de R$ 4 bilhões por meio de empresas de fachada e contas bancárias de laranjas. Na época, o principal alvo era o doleiro Leonardo Meirelles, ex-sócio de Alberto Youssef na Lava Jato. A investigação mirava crimes contra o sistema financeiro, mas a análise do material apreendido revelou indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e ligações entre operadores financeiros e integrantes do PCC.

Operação Bazaar revela corrupção na Polícia Civil

O passo seguinte ocorreu em março de 2026, com a Operação Bazaar. Derivada da Recidere, ela mudou o foco para suspeitas de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. A investigação apontou que policiais civis, advogados e doleiros teriam transformado departamentos estratégicos da corporação em um esquema de venda de proteção, cobrança de propinas e obstrução de investigações. Entre os presos estavam quatro policiais civis, advogados e a doleira Meire Poza, enquanto Leonardo Meirelles voltou a ter a prisão decretada, embora continuasse foragido. Segundo a decisão judicial da Janus, a perícia nos celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos na Bazaar permitiu identificar a ligação entre os operadores financeiros investigados e integrantes do PCC.

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Salus et Dignitas conecta Léo do Moinho

Outro ponto de conexão veio da Operação Salus et Dignitas, realizada em 2024 para combater o PCC na região da Cracolândia. Na ocasião, foi preso Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como um dos chefes da facção na Favela do Moinho. Na Janus, Léo do Moinho aparece como um dos principais clientes da estrutura de lavagem de dinheiro. Segundo o MP-SP, ele utilizava os operadores financeiros para adquirir bens em nome de terceiros e ocultar recursos provenientes do tráfico. Um dos aparelhos apreendidos com ele na Salus et Dignitas também passou a integrar o conjunto de provas da nova investigação.

Fim da Linha e Tai-Pan ampliam as conexões

A decisão judicial da Janus também faz referência a outras duas investigações. A Operação Fim da Linha, de 2024, investigou a lavagem de dinheiro do PCC por meio das empresas de ônibus UpBus e Transwolff. Alexandre Salles Brito, conhecido como "Buiu", um dos investigados na Janus, já figurava como réu no núcleo relacionado à UpBus. A outra é a Operação Tai-Pan, da Polícia Federal, que desarticulou uma organização especializada em movimentar bilhões de reais por meio de um sistema financeiro clandestino internacional. Na Janus, ela é citada por causa da relação entre a doleira Meire Poza — investigada na Bazaar — e o policial civil Cyllas Salernno Elias Júnior, denunciado por lavagem de dinheiro associada ao PCC.

Investigados que atravessam as operações

A lista de alvos da Operação Janus mostra como as investigações foram se conectando. Leonardo Meirelles, alvo da Recidere em 2023, reaparece na Bazaar e agora na Janus. A doleira Meire Bonfim da Silva Poza, presa na Bazaar, volta a ser investigada na Janus e é citada na Tai-Pan. Os advogados Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana, presos na Bazaar, também estão na Janus. Alexandre Salles Brito (Buiú) é investigado na Janus e citado na Fim da Linha. O g1 busca contato com as defesas dos investigados.

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