MP denuncia três por enviar chocolate com bomba à filha de presidente do Ceará
MP denuncia três por chocolate com bomba a filha de presidente

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou, nesta quarta-feira (8), três homens por envolvimento no envio de uma caixa de chocolate contendo um artefato explosivo para a filha adolescente de João Paulo Silva, presidente do Ceará Sporting Club. O caso ocorreu em 35 de junho deste ano. Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa, Sérgio Tibúrcio dos Santos e André Luiz Level Barbosa da Silva foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, ocultação de sinal identificador de veículo automotor, ameaça e expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem mediante explosão.

Suspeitos presos e foragido

Kaio e Sérgio foram presos em 30 de junho, enquanto André Luiz não foi localizado até a publicação desta reportagem. As defesas dos acusados não foram encontradas para comentar a denúncia. Segundo o inquérito policial, os três homens agiram em conjunto para intimidar o presidente do clube, colocando em risco a vida, a integridade física e o patrimônio de João Paulo e de sua filha.

Detalhes do atentado

De acordo com a denúncia, o trio foi até o local onde a adolescente estuda teatro, utilizando duas motos com placas encobertas. O explosivo estava escondido dentro de uma caixa de chocolates, entregue junto a um buquê de flores. A encomenda continha um bilhete com a mensagem "FORA JP SAFADO", indicando a intenção de forçar a saída de João Paulo da presidência do Ceará. A encomenda foi aberta por uma funcionária do estabelecimento, que pensou que fosse um presente do namorado. No dia do crime, a adolescente não estava presente. Uma testemunha relatou que o entregador usava uma bag típica de motoboy.

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Provas periciais

Na casa de André Luiz, foram encontradas uma bag de motoqueiro e um capacete idênticos aos registrados por câmeras de segurança. Um laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou uma impressão digital de Kaio Fellype na embalagem de um dos bombons. Durante audiência de custódia em 1º de julho, a juíza considerou o material genético como elemento essencial e converteu a prisão em flagrante para preventiva de Kaio, afirmando: "Conforme laudo papiloscópico elaborado pela Pefoce, foi identificado fragmento de impressão digital pertencente ao custodiado Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa na embalagem de um dos bombons que integravam a encomenda, circunstância que, nesta fase processual, reforça os indícios de sua participação na preparação do artefato." Sérgio também teve a prisão convertida.

Gravidade e reação

A juíza destacou que o artefato foi enviado a uma escola em funcionamento, colocando estudantes, professores e funcionários em risco. A ação demonstrou planejamento prévio, organização e uso de motos com placas encobertas para dificultar a identificação. A magistrada registrou que Sérgio já havia sido preso em 2025 por adulteração de veículo. Foi autorizada a coleta de DNA dos investigados. João Paulo Silva, presidente do clube, lamentou o ocorrido nas redes sociais: "Hoje aconteceu algo que nunca imaginei que pudesse acontecer. Até onde a política suja foi capaz de chegar. Minha filha recebeu no curso de teatro um 'presente' com uma bomba e uma carta com ataques a mim. Ela teve um ataque de pânico." Ele afirmou que suporta as críticas, mas que mexer com inocentes é inaceitável, e que tomará providências legais para proteger a família e o clube.

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