O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou duramente as posturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) diante da ameaça de um novo tarifaço por parte do governo dos Estados Unidos. Em entrevista ao Flow Podcast na noite de quarta-feira (8), o ex-governador de Goiás afirmou que Lula tem provocado Donald Trump com o objetivo de obter retorno eleitoral, enquanto Flávio, segundo ele, se ajoelha aos interesses norte-americanos.
Críticas à postura de Lula e Flávio Bolsonaro
“Gente, pelo amor de Deus, onde é que está o raciocínio de um candidato à Presidência da República de representar o país? Quer dizer: ‘olha, não admito essas penalidades que vocês querem nos impor neste momento. Nós sabemos refutar todas elas’. Nós temos uma condição aqui de resgatar o Itamaraty, a chancelaria brasileira. Nós estamos preparados para um bom debate. Não é simplesmente você ficar numa tese de provocação e, de outro, de ajoelhamento”, declarou Caiado.
O presidenciável do PSD relembrou eleições no Canadá e na Austrália em que Trump entrou em embate com candidatos adversários que acabaram eleitos. “O que foi que o Lula percebeu: ‘se eu provocar o Trump bastante, eu vou ter a chance [de vencer a eleição]’, como aconteceu com o candidato no Canadá e na Austrália. E de cobrar a tese, da falsa tese que ele fala de soberania, que já entregou o Brasil para os bandidos, pros corruptos, PCC, pro Comando Vermelho, para as facções, mas aí se veste na credencial de falar ‘não, mas eu estou enfrentando o Trump’”, disse.
Documento enviado ao governo Trump
Sobre Flávio Bolsonaro, Caiado considerou um erro o documento enviado ao governo Trump pedindo que não se tarifem produtos brasileiros até as eleições de outubro. “Aí você para e pensa: vem cá, onde é que está o Brasil nisso aí? Raciocina bem: um que provocou para ter o benefício de ir na [tese da] soberania. O outro entrega de bandeja um documento assinado, dizendo o seguinte: ‘Olha, não tarife até a eleição’”, afirmou.
Ameaça de novo tarifaço
Em junho, o Escritório do Representante de Comércio (USTR) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras após uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos. Entre as práticas listadas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.
O prazo para um acordo entre Brasil e Estados Unidos se encerra em 15 de julho, e o governo brasileiro afirma que corre contra o tempo para chegar a um entendimento. O Brasil rechaçou formalmente as acusações em documento enviado na semana passada ao governo Trump. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que a recomendação do USTR tem caráter político e desconsidera argumentos técnicos apresentados ao longo do último ano.
O governo brasileiro pretende realizar mais duas conversas com o USTR antes do prazo final, quando o órgão deve enviar à Casa Branca sua recomendação sobre possíveis tarifas contra o Brasil. Entre representantes de empresas que participaram das audiências, a impressão é de que o tarifaço é inevitável, mas pode ser calibrado pelos efeitos na economia dos EUA, segundo publicado pelo blog da Ana Flor.



