O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta participação em uma organização criminosa armada vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, o grupo monitorava autoridades públicas, entre elas o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador das unidades prisionais da região Oeste, Roberto Medina, com o objetivo de fornecer informações para possíveis atentados.
Denunciados e papéis
A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na última sexta-feira (24) e protocolada na Justiça na segunda-feira (27), identifica os suspeitos: Victor Hugo da Silva, conhecido como "VH" ou "Falcão"; Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício"; Sérgio Garcia da Silva, o "Messi"; e Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado".
De acordo com a acusação, Victor Hugo era responsável por monitorar Roberto Medina em Presidente Venceslau, no interior paulista. Wellison, preso em outro processo por tráfico de drogas, recebia as informações e as repassava à cúpula da facção. Sérgio levantava dados sobre a rotina do promotor Lincoln Gakiya em Presidente Prudente, enquanto Adilson atuava como interlocutor do grupo, auxiliando na exclusão de diálogos e na destruição de vestígios digitais.
Operação revelou plano em outubro
Em outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que expôs o plano do PCC para executar Gakiya e Medina. Na ocasião, oito homens passaram a ser investigados. Cinco deles foram presos entre julho e setembro de 2025 por tráfico de drogas. A análise dos celulares apreendidos revelou a intenção de matar as autoridades.
Segundo a denúncia, as provas incluem mensagens, registros de geolocalização, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e documentos relacionados ao monitoramento das vítimas. Também foram identificados indícios de vínculos com atividades do PCC, como tráfico de drogas e armas.
Estrutura organizada e ausência de ameaça direta
O MP-SP sustenta que os quatro integravam, desde junho de 2025, uma estrutura organizada do PCC com divisão de tarefas voltada a crimes como tráfico de drogas, delitos patrimoniais, crimes com armas de fogo e ações contra agentes públicos. Apesar da gravidade, os promotores optaram por não denunciar o grupo por ameaça, pois não houve ameaças diretas por palavras, escritos ou gestos. Por isso, a acusação se concentra no crime de integração de organização criminosa armada.
As investigações revelaram que os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro do condomínio do promotor e usaram drones para monitorar por meses a rotina dele e de Medina. As ordens para os ataques partiam de presídios federais. Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista.



