O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o motorista chinês Guofang Huang, de 53 anos, pelo atropelamento que matou o coletor de lixo Diego Rafael da Silva, de 19 anos, na Barra Funda, Zona Oeste da capital. A denúncia, apresentada na última sexta-feira (31) pela promotora Mônica Nogueira Rodrigues, classifica o crime como homicídio duplamente qualificado e também imputa ao condutor os crimes de dirigir sob influência de álcool e de fugir do local do acidente.
A Promotoria solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva do denunciado, a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em caso de condenação por embriaguez ao volante e a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil aos familiares da vítima. O atropelamento ocorreu na noite de 26 de julho, na Rua do Bosque, na Barra Funda, enquanto Diego trabalhava na coleta de lixo.
Detalhes da denúncia e do crime
De acordo com o MP-SP, o motorista havia ingerido bebida alcoólica em quantidade suficiente para comprometer sua capacidade psicomotora antes de assumir a direção do veículo. Para a promotora, o homicídio deve ser considerado duplamente qualificado porque o motorista teria agido por meio que "gerou perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima". A denúncia afirma que o condutor lançou o veículo contra um trecho da rua onde trabalhava toda a equipe de coleta de lixo, além de haver outros carros e motocicletas circulando pelo local.
O gari foi surpreendido enquanto desempenhava suas funções e não teve nenhuma possibilidade de perceber o risco, reagir ou desviar do veículo. "A surpresa não decorreu de acaso, mas do modo como o denunciado conduziu o veículo, e reduziu a nada a possibilidade de defesa do ofendido", escreveu a promotora na denúncia. Diego recolhia contêineres na parte traseira de um caminhão de limpeza, que estava estacionado e devidamente sinalizado para a realização do serviço, quando foi atingido pelo carro conduzido por Huang.
Prisão preventiva e embriaguez confirmada
Na semana passada, a Justiça de São Paulo converteu em preventiva a prisão em flagrante de Guofang Huang. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na tarde de segunda-feira (27), segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Com isso, o motorista permanecerá preso enquanto o caso é investigado. A vítima chegou a receber os primeiros socorros de uma médica que passava pelo local e, em seguida, foi atendida por equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a investigação, o motorista apresentava sinais evidentes de embriaguez, com dificuldade para permanecer em pé. Ele aceitou fazer o teste do bafômetro, que apontou 0,73 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, mais que o dobro do limite de 0,34 mg/L a partir do qual a legislação brasileira considera configurado o crime de embriaguez ao volante. Testemunhas relataram que, após o atropelamento, o motorista deixou o local e retornou poucos minutos depois. Diante da revolta de pessoas que acompanhavam a ocorrência, ele foi retirado do veículo e levado para o interior de um prédio próximo até a chegada da Polícia Militar.
Desdobramentos e reações
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o motorista foi preso em flagrante por homicídio doloso. A ocorrência foi registrada inicialmente no 7º Distrito Policial (Lapa), durante o plantão policial, e a investigação está a cargo do 23º Distrito Policial (Perdizes), responsável pela área. Em nota, a SP Regula informou que foi comunicada pela concessionária Loga sobre o acidente fatal envolvendo um coletor durante a execução dos serviços de limpeza urbana. A Prefeitura de São Paulo manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho da vítima e afirmou que as circunstâncias da ocorrência são apuradas pelas autoridades competentes.



