Uma motorista de aplicativo foi presa e depois solta após cobrar R$ 239 de um passageiro cego por uma corrida que custava R$ 10,61. O caso ocorreu em Goiânia, após o passageiro voltar de compras em Campinas. O homem, que preferiu não se identificar, contou à TV Anhanguera que pagou a corrida pelo aplicativo com cartão de crédito, mas ao chegar ao destino, a motorista alegou que o pagamento não havia sido processado e insistiu para que ele passasse o cartão em uma maquininha dela.
Passageiro relata medo e vulnerabilidade
O passageiro disse que inicialmente ofereceu fazer um Pix para o WhatsApp da motorista, mas ela recusou, afirmando que seu Pix era vinculado a um e-mail e seria complicado. Com receio de que ela ficasse alterada, ele cedeu e passou o cartão na máquina. Só percebeu o golpe ao chegar em casa, quando um vizinho o ajudou a registrar boletim de ocorrência e reportar o crime ao aplicativo e ao banco.
“A nossa vida assim é muito vulnerável a qualquer coisa. Querendo ou não, você fica ainda agora com receio de andar, não tem como. Mas eu tenho que andar. Então eu tenho que superar a minha cegueira e essa insegurança”, desabafou o passageiro.
Motorista foi presa e solta em audiência de custódia
A mulher chegou a ser presa, mas o juiz decidiu pela soltura dela durante a audiência de custódia. O g1 não conseguiu contato com a defesa da motorista até a última atualização desta matéria.
A Uber, procurada pela reportagem, lamentou o caso e informou que a conta da motorista parceira foi desativada da plataforma. A empresa afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O caso reforça a vulnerabilidade de pessoas com deficiência visual em situações de dependência de terceiros, especialmente em serviços de transporte. O passageiro, apesar do trauma, afirma que precisa continuar usando o aplicativo para se locomover.



