Motorista de app morto a tiros na Serra era missionário
Motorista de app morto a tiros na Serra era missionário

O motorista de aplicativo José Sena Filho, de 42 anos, foi morto a tiros na noite de sexta-feira (19) enquanto realizava uma corrida no bairro Vista da Serra II, na Serra, região da Grande Vitória, no Espírito Santo. A vítima, que também era missionário evangélico e participava de ações de evangelização em diversas cidades do estado, foi encontrada ferida por moradores e policiais militares. Antes de morrer, José conseguiu relatar que havia sido assaltado e que os criminosos levaram seu carro e celular.

Vítima era missionário e pai de família

Natural de Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia, José morava sozinho no Espírito Santo há cinco anos. Ele deixa duas filhas, de 20 e 18 anos, que residem na cidade baiana. Familiares e amigos o descrevem como "um pai de família, trabalhador e muito amado". O amigo Marlon Andrade contou que José havia comprado o carro recentemente para complementar a renda com corridas por aplicativo. "A gente já viajou junto fazendo obra missionária e ele confessou que tinha comprado o carro justamente para isso, que tinha que trabalhar muito para pagar o veículo. Era um homem esforçado, lutou muito para se manter. Ninguém está acreditando que isso aconteceu", disse.

Crime ocorreu durante jogo da Seleção

Moradores relataram ter ouvido disparos por volta das 22h, durante a partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo. Pouco depois, encontraram o motorista ferido em um trecho sem saída da Rua Figueiras. "Ele veio pedindo socorro e caiu aqui na rua. Ainda estava vivo e conversando. Disse que tinha aceitado uma corrida no bairro Planalto Serrano quando anunciaram o assalto", contou uma moradora que preferiu não se identificar.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas, segundo moradores, a equipe levou cerca de uma hora para chegar ao local. José foi colocado na ambulância, mas a morte foi constatada ainda na região do crime. "Demorou muito para chegar. O policial falava com ele o tempo todo: 'não se mexe, fica quieto, você não vai morrer, o Samu está chegando'. Mas demorou muito", disse a moradora.

Velório e enterro

O corpo de José foi velado e enterrado neste domingo (21). Familiares e amigos se reuniram na igreja evangélica no bairro Carapina Grande para um culto fúnebre. José também cantava no grupo de louvor da igreja. Horas antes de ser morto, ele ajudou na entrega de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade na Serra.

Emocionado, o irmão da vítima, Roberto Sena, lamentou: "Ele teve a vida levada por bandidos que não têm nada a perder, mas a gente perdeu. Perdemos um cidadão de bem, um cara bom, amado". A sobrinha de José, Juliana Sena, que também trabalha como motorista de aplicativo, espera que o crime seja esclarecido: "A gente quer que a polícia faça o que tem que ser feito. Não pode ficar impune. Hoje ele é mais um para a estatística".

Investigação e denúncias

A Polícia Militar realizou buscas na região, mas nenhum suspeito foi localizado. O carro e o celular da vítima ainda não foram encontrados. A Polícia Civil informou que o caso será investigado pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra e disse que nenhum suspeito foi preso. Informações anônimas podem ser repassadas pelo Disque-Denúncia (181), pelo site ou pelo WhatsApp (27 99253-8181).

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) foi questionada sobre a demora no atendimento do Samu e informou que vai apurar as circunstâncias.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar