Um motorista embriagado atropelou e matou duas pessoas na madrugada deste domingo (3) na zona norte de São Paulo. O acidente ocorreu por volta das 4h na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, na altura do número 5.800, no bairro do Mandaqui. O condutor, de 38 anos, foi preso em flagrante por homicídio doloso e embriaguez ao volante.
Dinâmica do acidente
De acordo com a Polícia Militar, o motorista dirigia um Ford Ka prata quando perdeu o controle do veículo, subiu o canteiro central e atingiu duas pessoas que estavam em um ponto de ônibus. As vítimas, um homem de 42 anos e uma mulher de 35 anos, morreram no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas não houve tempo de socorro.
Testemunhas relataram que o carro seguia em alta velocidade e em zigue-zague antes do acidente. O motorista tentou fugir, mas foi contido por populares até a chegada da polícia. Ele apresentava sinais claros de embriaguez, como fala arrastada e odor de álcool, e se recusou a fazer o teste do bafômetro. Mesmo assim, foi levado ao 13º Distrito Policial (Casa Verde), onde o delegado de plantão, ao constatar os indícios, solicitou exame de sangue para comprovar a dosagem alcoólica.
Repercussão e medidas legais
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o motorista já tinha passagens por infrações de trânsito e que a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) dele estava suspensa. Em nota, a pasta afirmou que “o caso foi registrado como homicídio doloso, pois o condutor assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado”. A pena para esse crime pode chegar a 20 anos de reclusão, conforme o Código de Trânsito Brasileiro e o Código Penal.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, lamentou o ocorrido em suas redes sociais e cobrou rigor na punição: “Que a Justiça seja feita. Não podemos aceitar que vidas sejam ceifadas pela irresponsabilidade de quem dirige sob efeito de álcool.” Ele também reforçou o pedido para que a Operação Lei Seca seja intensificada na cidade.
Estatísticas de acidentes por embriaguez
Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) indicam que, em 2025, foram registrados 1.234 acidentes com vítimas envolvendo motoristas alcoolizados na capital paulista, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. Desses, 87 resultaram em mortes. A faixa etária mais afetada é a de 25 a 39 anos. Especialistas apontam que a combinação de velocidade e álcool é responsável por cerca de 30% das mortes no trânsito da cidade.
A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) alerta que a fiscalização é essencial, mas que a educação precisa começar cedo. “O Brasil ainda tem uma cultura permissiva em relação ao álcool e à direção. É preciso campanhas contínuas e punições exemplares”, afirmou o presidente da entidade, Antônio Meira Júnior.
Investigação e próximos passos
A Polícia Civil agora investiga se o motorista tinha ingerido bebida alcoólica em um bar próximo ao local do acidente. Câmeras de segurança da região serão analisadas para reconstituir a dinâmica do atropelamento. O laudo do exame de sangue deve ficar pronto em até 30 dias. Enquanto isso, o condutor permanece detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Vila Maria, à disposição da Justiça.
As vítimas foram identificadas como Carlos Eduardo da Silva, 42, e Patrícia Gomes, 35. Familiares e amigos prestaram homenagens nas redes sociais. A comunidade do Mandaqui, onde o ponto de ônibus fica em frente a uma escola, pede mais segurança no trânsito e a instalação de quebra-molas ou radares no trecho.
Este é o segundo atropelamento fatal envolvendo um motorista embriagado em menos de uma semana na capital. Na última quarta-feira, uma idosa de 70 anos morreu atropelada na zona leste. A prefeitura anunciou que vai reforçar as blitzes da Lei Seca nos próximos feriados, especialmente no Dia dos Pais, quando há aumento no consumo de álcool.



