O Acre registrou nove mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos em 2025, conforme dados do Anuário da Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa uma redução de 38,9% em relação a 2024, quando 15 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no estado.
Segundo o levantamento, o Acre teve a segunda maior redução de mortes no país, perdendo apenas para Rondônia, que registrou queda de 83,1%. O estudo considera os casos de mortes violentas intencionais (MVI) e utiliza a metodologia adotada em edições anteriores, baseada em dois grupos etários: crianças (0 a 11 anos) e adolescentes (12 a 17 anos), conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Redução por faixa etária
Na divisão por faixa etária, o levantamento mostra que foi registrado um caso de morte de criança de 0 a 11 anos tanto em 2024 quanto em 2025. Já na faixa etária de 12 a 17 anos, foram registrados 14 casos em 2024 e oito em 2025, uma redução de 41,6%.
Ainda de acordo com o anuário, a taxa de mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes a cada 100 mil habitantes no Acre é de 3,3. Com esse índice, o estado ocupa a 16ª posição entre as unidades da federação, ficando abaixo da média nacional, que foi de 4,1 a cada 100 mil habitantes.
Caso emblemático em Rodrigues Alves
Uma das mortes registradas em 2025 foi a do adolescente Ronicleisson de Jesus Freitas, de 17 anos, assassinado com um tiro no rosto na noite de 18 de março, no município de Rodrigues Alves, interior do Acre. O principal suspeito, que era amigo da vítima, se entregou na delegacia no mesmo dia e foi preso em flagrante.
Em depoimento, o suspeito alegou que a arma, uma pistola 9 milímetros, pertencia a Ronicleisson e que o disparo foi acidental, ocorrido quando o amigo passava o revólver para ele. No entanto, a família contesta a versão e afirma que o tiro não foi acidental.
O caso segue sob investigação, enquanto os dados do Anuário da Segurança Pública reforçam a tendência de queda na violência letal contra crianças e adolescentes no Acre, embora ainda haja desafios na prevenção de mortes evitáveis.



