Morte de PM em Boa Viagem: amiga de suspeita cita veneno para matar cavalo
Morte de PM: amiga de suspeita cita veneno para matar cavalo

Quase dois meses após a morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior, de 40 anos, encontrado sem vida no dia 12 de junho em um apartamento no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, as investigações revelam novas evidências que apontam para um possível envenenamento. A TV Globo teve acesso a um depoimento de uma amiga da ex-companheira da vítima, a empresária Helen Kelly de Lima Pedrosa, que afirma que ela teria solicitado indicação de veneno "para matar cavalo" cerca de uma semana antes do crime.

O depoimento que pode mudar o rumo do caso

Segundo a testemunha, que preferiu não se identificar, Helen Kelly teria perguntado se ela conhecia algum lugar onde pudesse comprar veneno, justificando que precisava matar um cavalo. Ao ser questionada sobre o motivo, já que não possuía o animal, a empresária teria respondido: "É coisa minha". O relato foi registrado no inquérito policial e trouxe novos elementos para a investigação, que já havia identificado substâncias tóxicas nas bebidas consumidas pelo PM e pela suspeita na noite de sua morte.

Além disso, a testemunha relatou que, após a morte de José Maria, Helen Kelly teria demonstrado interesse em solicitar à Justiça a pensão por morte do policial, além do seguro da motocicleta. Ela teria perguntado quais documentos e laudos seriam necessários para garantir a maior parte dos benefícios, mencionando que a vítima tinha uma ex-esposa e um filho que também teriam direito. A amiga teria recusado o pedido para ser testemunha nesse processo.

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O medo da vítima e o relacionamento conturbado

A atual namorada do policial, que também não quis se identificar, contou à TV Globo que começou a se relacionar com José Maria dois meses após o fim do namoro com Helen Kelly, no início deste ano. Segundo ela, o PM vivia com medo do que a ex-companheira poderia fazer. "Ele disse que nunca namorou com ela, só foi um lance. Quando a gente estava junto, inclusive, uma vez ele me deu o celular e disse: 'ó, ela está me ligando, atende'. Eu: 'não vou atender, eu não vou me meter nisso aí', até porque ele falava que ela era perigosa e [ele] tinha medo que ela soubesse quem eu era, para ela não me fazer mal", afirmou.

Um áudio anexado ao inquérito, ao qual a TV Globo também teve acesso, reforça essa preocupação. Na gravação, José Maria fala sobre o término do relacionamento e demonstra temor: "Foi só um lance. Não tenho sentimento por ela, não, pô. Só que eu fico preocupado porque ela é capaz de muita coisa, pô. E, tipo, eu não sei o que ela é capaz de fazer comigo, né? Por isso que eu fico na minha. É feito dizia minha mãe: 'vou dar um basta de vez'", diz o PM.

Substâncias encontradas nas taças e a versão de Helen

A causa da morte de José Maria ainda não foi oficialmente confirmada, mas a perícia encontrou substâncias nas bebidas consumidas por ele e por Helen na noite do crime. Na taça do policial, foram identificados clonazepam, um sedativo, e cafeína. Já na taça da empresária, havia sibutramina, um inibidor de apetite. Em depoimento, Helen Kelly afirmou que o PM teria tentado dopá-la ao trocar as taças de energético, mas que ela percebeu a troca por causa de uma marcação em um dos recipientes e desfez a mudança a tempo. Horas depois, José Maria foi encontrado morto.

Essa versão, no entanto, é contestada pela família e pela atual namorada da vítima, que acreditam que Helen teria planejado o crime. A defesa de Helen Kelly, por meio de nota, classificou as declarações como "não verdadeiras" e afirmou que elas têm "apenas a intenção de prejudicar a suspeita". A defesa também reiterou que acredita na inocência da empresária e aguarda a conclusão das investigações.

Histórico de violência e medidas protetivas

As investigações também apontam para um padrão de comportamento de Helen Kelly. Um ex-namorado da empresária denunciou à polícia que também teria sido dopado por ela. Helen acusou esses dois ex-namorados de violência doméstica e conseguiu a expedição de medidas protetivas contra eles. Durante os relacionamentos, os dois homens tiveram veículos roubados: um perdeu um carro e o policial militar, uma moto.

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A namorada de José Maria levantou a suspeita de que o roubo da motocicleta teria sido planejado pela própria empresária. "Deixaram ele só com a roupa do corpo, levaram carteira, celular, moto e o capacete. [...] Ele disse para mim: 'foi ela porque ela sabia que eu tinha as provas [da perseguição] no celular'", contou.

Celular desaparecido e novas pistas

A polícia tenta localizar o celular do policial militar, que desapareceu após sua morte. A namorada de Silva Júnior disse que chegou a enviar mensagens por WhatsApp depois da morte de José Maria, o que indicaria que o aparelho ainda estava funcionando. "Mandei mensagem no dia 11 de manhã. No outro dia, no dia do enterro, eu liguei, pediram para eu ligar. Eu liguei sem ser por WhatsApp, ligação normal. Chamou várias vezes e não atendeu. Mandei mensagem pelo WhatsApp também: 'amor, chegou a mensagem?'. Mas o celular não apareceu. [...] Ele tinha celular antes, que foi do assalto, em que ele tinha provas de que não tinha batido nela. De repente, ele é assaltado, levam o celular. Ele consegue um outro celular, consegue recuperar novamente as provas e, de repente, ele morre e o celular com as provas some também", afirmou.

Prisão e revogação da medida

Helen Kelly chegou a ser presa preventivamente no dia 22 de julho, após se jogar da janela do 4º andar de um prédio para evitar a prisão. Desde então, ela está internada no Hospital da Restauração, na área central do Recife. Na sexta-feira (31), a Justiça revogou a ordem de prisão preventiva, mas as investigações continuam em andamento.

Procurada pela TV Globo, a Polícia Civil informou que só vai se pronunciar sobre o caso quando o inquérito for concluído. A família do policial e a atual namorada aguardam por justiça e pela elucidação completa dos fatos.