Menino autista não verbal desaparecido é encontrado morto em biodigestor no PR
Menino autista não verbal encontrado morto em biodigestor

O corpo de João Gabriel Ferreira dos Santos, de 5 anos, foi encontrado a cerca de 70 metros da casa onde morava com a família, em uma poça de aproximadamente dois metros de profundidade formada sobre a lona de um biodigestor. O caso aconteceu na área rural de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O menino, que era autista não verbal, havia desaparecido no domingo (26) e foi localizado nesta terça-feira (28).

Local do achado e dinâmica da morte

A propriedade onde a família reside e trabalha abriga uma granja, o que autoriza a moradia em uma casa na fazenda. O biodigestor — tanque fechado que decompõe resíduos orgânicos sem oxigênio, usado para tratar esgoto doméstico e produzir biogás e biofertilizante — fica logo abaixo da residência, cercado por vegetação. A Polícia Civil e a Polícia Científica informaram que vão trabalhar para esclarecer a dinâmica da morte.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) detalhou que os bombeiros encontraram o menino durante o esvaziamento do biodigestor. "Os bombeiros efetuavam o esvaziamento de pontos com acúmulo de água, com apoio de caminhão do proprietário da fazenda, quando encontraram o corpo em um biodigestor situado a cerca de 70 metros da residência", afirmou a pasta.

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Lona furada e formação de poças

Segundo o Corpo de Bombeiros, o normal é que a lona que cobre o biodigestor fique inflada devido aos gases produzidos pelos dejetos animais. Contudo, ela estava furada, provocando a formação de poças. "Era um local que a gente já tinha plotado no nosso georreferenciamento. Era uma lona que tinha sido perfurada e, embaixo dela, tem fezes de animais. Então a água estava completamente contaminada, impossibilitando o mergulho. A gente solicitou ao proprietário da empresa que ele fizesse o esgotamento dessa água que estava inundando essa lona e enquanto estava fazendo esse trabalho, o menino foi localizado", explicou o major Eduardo Hunzicker, do Corpo de Bombeiros.

O local é cercado, mas tinha um espaço aberto que pode ter possibilitado o acesso da criança. Após a localização, a Polícia Científica periciou o local e encaminhou o corpo para exames de necropsia. "A Polícia Civil do Paraná (PCPR) aguarda a conclusão e o encaminhamento do laudo, que deverá apontar as circunstâncias em que o corpo foi encontrado, permitindo o aprofundamento das análises e a continuidade das investigações", informou a SESP.

Desaparecimento e buscas

João Gabriel desapareceu depois de avisar à mãe que iria ao banheiro, que fica na área externa da casa. Familiares procuraram por cerca de uma hora sem sucesso e acionaram as autoridades. Desde então, a Polícia Militar (PM), a Guarda Municipal, o Corpo de Bombeiros e voluntários realizaram buscas. A região é de mata, com tanques de água e uma fossa, o que exigiu o uso de helicóptero, drone com câmera térmica, scanner aquático e bombeiros em solo. A polícia também enviou viaturas com cães farejadores.

O menino era autista não verbal, o que dificultou ainda mais a localização, já que não poderia pedir ajuda ou responder a chamados. A comunidade local se mobilizou nas buscas, que duraram aproximadamente 48 horas até o triste desfecho.

As autoridades seguem investigando as causas da morte e aguardam o laudo da necropsia para esclarecer se houve afogamento ou outro fator. O caso comoveu a região de Araucária e reacendeu o alerta sobre a segurança de crianças em áreas rurais, especialmente aquelas com necessidades especiais.

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