O menino João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, que teve a perna esquerda amputada após ser mordido por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, recebeu alta hospitalar na segunda-feira (6). Ele voltou para casa mais de um mês após o incidente, ocorrido em 31 de maio.
João Lucas estava internado no Hospital Unimed, unidade de saúde particular no bairro da Ilha do Leite, área central do Recife. No momento da alta, ele saiu sentado em uma cadeira de rodas empurrada pelo pai, Lucas Nemezio. Profissionais de saúde seguraram bolas em formato de coração e comemoraram a alta, chamando o menino de campeão. Uma das profissionais agradeceu pela oportunidade de cuidar da criança e de participar daquele momento especial.
Detalhes do ataque e tratamento
Após ser mordido, João Lucas ficou quatro dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby. Em 4 de junho, foi transferido para o Hospital da Unimed. Além da amputação da perna esquerda, o menino sofreu fraturas na mão esquerda. Segundo o diretor do hospital, cirurgião Petrus de Andrade Lima, o garoto chegou a perder "praticamente todo o sangue do corpo".
O ataque aconteceu quando João Lucas estava com tios, primos e colegas na praia de Piedade. Atingido na coxa e na mão esquerdas, foi retirado do mar por parentes e socorrido por guarda-vidas na praia. Levado inicialmente ao Hospital da Aeronáutica, em Piedade, foi estabilizado e transferido ao HR, onde passou por cirurgia para amputação da perna e reparo da mão. Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), um tubarão-cabeça-chata foi o responsável pela mordida.
Outra vítima: Marcela Vitória
Um dia após o ataque a João Lucas, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita arrancada por um tubarão na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Ela recebeu alta da UTI no mesmo dia de João Lucas e segue internada na enfermaria do HR. Em vídeo publicado na segunda-feira (6), Marcela afirmou: "Eu ainda estou aguardando a minha próxima cirurgia, então ainda estou no hospital, mas, mesmo com os altos e baixos aqui, eu venho me recuperando muito bem, os médicos dizem isso."
Marcela estava com primos e amigos quando foi mordida, na tarde de 1º de junho. Um dos primos a retirou do mar e contou que ela já saiu da água sem a perna direita. Ao sair, foi socorrida por um médico de Minas Gerais que passeava na praia e fez um torniquete para estancar o sangramento. Levada ao Hospital Alfa, em Boa Viagem, foi estabilizada e transferida ao HR, onde passou por cirurgia. Segundo o diretor do hospital, a jovem chegou "em choque hemorrágico profundo". Na cirurgia, os vasos sanguíneos lesionados foram estancados e a área tratada para favorecer a cicatrização. De acordo com o Cemit, um tubarão-tigre foi o animal que mordeu Marcela.



