Adriana Ibba, mãe de Liz Ibba dos Santos, de três anos, a vítima mais nova do voo 2283 da Voepass, afirmou que "não era para esse voo ter sido autorizado" após ter acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave e ao laudo da Polícia Federal sobre o acidente que matou 62 pessoas, em agosto de 2024. A tragédia aérea ocorreu em 9 de agosto de 2024, após o voo sair de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP). Desde então, parentes aguardam respostas sobre as causas e os responsáveis pela queda.
Reunião com familiares em Campinas
A reunião com representantes das famílias ocorreu nesta terça-feira (30), em Campinas (SP), e marcou a reta final da investigação, que deve ser concluída nos próximos 30 dias. Adriana, que perdeu a filha e o marido Rafael Fernando dos Santos no acidente, disse: "Se passaram quase dois anos e não tem um dia que eu não pense sobre isso. A impressão que tenho é que esse avião cai todos os dias [...]. A expectativa agora é que haja os indiciamentos dos responsáveis diretos e indiretos que autorizaram esse voo, porque não era para esse voo ter sido autorizado". A família iria para Florianópolis passar o Dia dos Pais.
Transcrição da cabine e laudo pericial
Uma das expectativas dos familiares era verificar se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo da aeronave. A suspeita de falha ou problemas relacionados a ele é uma das linhas investigadas desde o início. Segundo os advogados que acompanham o caso como assistentes de acusação, o áudio da cabine integra o material pericial. Os familiares optaram por ler apenas a transcrição das conversas, sem ouvir as gravações. Além das conversas da cabine, os representantes da associação conheceram detalhes do laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), documento que embasa a fase final do inquérito conduzido pela PF.
Reta final da investigação
Após a reunião, os advogados afirmaram que a expectativa é de que a PF conclua o inquérito nos próximos 30 dias e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo Luciano Katarinhuk, advogado que representa as famílias, o relatório reúne elementos que podem resultar em indiciamentos. "O que a gente pode dizer e antecipar para a imprensa é que os trabalhos que há dois anos vêm sendo desenvolvidos agora chegaram na reta final e serão concluídos nos próximos 30 dias com novidades, com indiciamentos", afirmou. De acordo com o advogado, algumas pessoas ouvidas até agora apenas como declarantes poderão passar à condição de investigadas.
Relembre o caso
O ATR 72-500 da Voepass caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), durante um voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo morreram. Além da investigação criminal conduzida pela PF, o acidente também é apurado pelo Cenipa, responsável pela investigação técnica das causas da queda. As duas apurações são independentes. Até o momento, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgaram oficialmente nomes de investigados nem anteciparam eventuais indiciamentos.



