A mãe do adolescente suspeito de executar um atentado a tiros em uma conveniência de Campo Mourão, no Norte do Paraná, foi denunciada pelo Ministério Público. Na decisão de segunda-feira (20), a promotora Renata Melo Boaventura considerou que ela foi omissa, pois sabia que o filho tinha explosivos, munições e bloqueadores de sinal em casa, mas não tentou impedir ou avisar a polícia.
Denúncia contra a mãe
A mulher de 33 anos foi denunciada pelos crimes de posse irregular de munição, posse ilegal de artefato explosivo e desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicação. Os materiais foram encontrados na casa dela no dia 18 de julho, um dia após o atentado. Na ocasião, a polícia apreendeu 500 metros de cordel detonante, bloqueadores de sinal, duas munições calibre 38 e pequenas porções de droga, que estavam no quarto do adolescente.
"A denunciada anuiu com a situação de perigo e deixou de adotar qualquer providência eficaz inerente ao poder familiar para impedir ou fazer cessar a guarda ilícita [...], omitindo-se penalmente no cumprimento de seu dever legal de vigilância e custódia, dando causa, assim, à manutenção do resultado proibido que tinha a obrigação de evitar", disse a promotora na decisão.
A mulher chegou a ser presa em flagrante, mas foi liberada na audiência de custódia. Na denúncia, o MP também solicitou uma indenização mínima de R$ 40 mil por danos morais coletivos. O g1 tenta contato com a defesa dela.
Responsabilização do adolescente
O Ministério Público ofereceu representação contra o adolescente suspeito de executar o atentado. A 2ª Promotoria de Justiça de Campo Mourão também propôs a apuração de atos infracionais e aplicação de medida socioeducativa contra ele. Segundo o MP, o adolescente responde por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, lesão corporal e falsidade documental. O processo está em sigilo.
"A representação dá início ao processo judicial que visa à responsabilização do adolescente pelos atos praticados, com a correspondente aplicação de medida socioeducativa", disse o MP.
O adolescente se apresentou na delegacia na manhã de segunda-feira (20). Ele entregou a arma que usou para cometer o crime, foi apreendido e levado para o Centro de Socioeducação (Cense) de Curitiba.
Como o atentado aconteceu
Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que um suspeito usando balaclava chega a pé a uma conveniência de Campo Mourão, na noite de sexta-feira (17). Em seguida, ele aponta uma arma para dentro do estabelecimento e efetua os disparos. As imagens também mostram a movimentação e a correria das pessoas que estavam no local após os tiros. Autoridades isolaram o local do crime. A Polícia Civil e Polícia Científica estiveram na conveniência para iniciar o trabalho de investigação e perícia.
Quem são as vítimas
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR), duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas. As vítimas são Marcio Bertholdo Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38. Izabela Roberto de Carvalho, de 23 anos, também foi atingida, perdeu a visão do olho esquerdo e ficou com uma bala alojada nas costelas. Um homem de 41 anos está internado no mesmo hospital particular de Campo Mourão que Izabela. Segundo a família, ele foi baleado e está bem. A mulher de 40 anos foi atingida pelos disparos e socorrida em estado grave. Para a polícia, o adolescente confessou que ela era o único alvo e que cometeu o atentado a tiros para se vingar de uma situação de 2024.



