Cerca de 30 médicos plantonistas do Hospital Previna, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, denunciam atrasos no pagamento dos plantões realizados em abril, maio e junho de 2026. Os profissionais atuam na UTI e no pronto-socorro da unidade particular, que funciona 24 horas. As tentativas de contato com o setor financeiro da empresa responsável pelos pagamentos não têm sido respondidas, segundo os médicos.
Problema atinge UTI e pronto-socorro
O médico intensivista Pedro Meireles, que coordenou a UTI do hospital entre dezembro de 2025 e maio deste ano, afirma que ficou com os pagamentos de abril e maio atrasados. Até a manhã desta segunda-feira (13) os valores ainda não tinham sido depositados. Por volta das 17h, o salário de abril foi pago. "Trabalhamos, estudamos e não recebemos. Não estão nem aí para nós. Não é justo. Não acho justo famílias inteiras serem prejudicadas por incompetência. É desumano para ser sincero", afirmou.
Meireles relata que o problema atingiu pelo menos 10 médicos da UTI e cerca de 20 plantonistas do pronto-socorro adulto. Segundo ele, parte dos profissionais do PS recebeu apenas uma quantia parcial, mas ele não soube informar os valores. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) já foi acionado, mas, até o momento, os médicos não receberam retorno.
Notificação extrajudicial e silêncio da empresa
Uma notificação extrajudicial foi enviada pelo advogado de Pedro em 19 de junho. No documento, a defesa afirma que o profissional prestou serviços conforme o cronograma divulgado pela própria empresa responsável pelos pagamentos e que os valores deveriam ter sido quitados no fim de maio ou no primeiro dia útil subsequente. O advogado concedeu prazo de dois dias úteis para a quitação antes da adoção de medidas judiciais. "A questão é que o financeiro nunca responde. Não responderam nem a notificação extrajudicial. Silêncio total como se nada tivesse acontecendo", ressaltou o médico.
Outro plantonista da UTI, Alexandre Zaballa, também afirmou que ficou sem receber pelos meses de abril e maio. "Fiquei com dois meses sem receber. Inclusive, a empresa não respondeu mais às tentativas de contato. Tentei várias vezes. E os valores em atraso somam cerca de R$ 50 mil", disse. "Tenho contato com outros colegas que receberam parcialmente. Há duas semanas entraram em contato comigo falando que iam pagar plantões à vista porque estavam sem plantonistas, e eu questionei porque eles tinham dinheiro para pagar o plantão e não o que deviam, mas não souberam dar resposta. Muito complicada essa situação", complementou. Na tarde desta segunda-feira (13), a empresa pagou parcialmente Zaballa, informou o médico.
Posicionamento da BNG Hub
O g1 procurou a empresa BNG Hub, responsável pela gestão da unidade. Em nota, a BNG disse que o "Hospital Previna apresentou uma proposta de regularização dos repasses financeiros, que estavam em débito com a sociedade médica desde janeiro de 2026, período em que vinha custeando a operação com recursos próprios da sociedade médica, a qual já foi aprovada e já encontra-se em fase de execução".
A BNG Hub, sociedade médica constituída por mais de 6 mil médicos associados, responsável pela gestão de equipes de diversos setores do Hospital Previna desde setembro de 2025 e centenas de unidades em 10 estados do país, informou ainda que "com esse aceno de regularização do Previna, a BNG Hub foi capaz de absorver os débitos pendentes e informa que a situação com todas as equipes foi totalmente regularizada". A empresa afirmou que a prioridade foi realizar a quitação imediata dos honorários para mitigar todos os transtornos e impactos gerados aos profissionais em virtude do atraso do Previna.



