A Polícia Civil de Limeira (SP) deflagrou nesta quarta-feira (15) a operação "Barco Furado", que investiga uma loja de embarcações e equipamentos náuticos suspeita de aplicar golpes sistemáticos contra clientes. Durante a ação, foram apreendidas 15 embarcações sem origem comprovada, entre lanchas, barcos de alumínio e uma moto aquática, além de oito motores de popa de diversas marcas e potências. O proprietário do estabelecimento, um homem de 63 anos cujo nome não foi divulgado, foi preso em flagrante por portar um revólver calibre .38 sem registro.
Dinheiro vivo, cheques e celular apreendidos
Os policiais também apreenderam R$ 6.540 em dinheiro vivo, oito folhas de cheque, cartões bancários e o celular do proprietário. Até a última atualização desta reportagem, a defesa do suspeito não havia sido localizada. A investigação aponta que a empresa atuava há cerca de três anos, atraindo clientes interessados na compra de embarcações, motores, motos aquáticas ou na contratação de serviços de manutenção e revenda de equipamentos náuticos.
Padrão de golpes: pagamento antecipado e desculpas
De acordo com a Polícia Civil, a loja recebia pagamentos antecipados via Pix ou cheque, mas os produtos não eram entregues e os serviços não eram realizados. Quando as vítimas deixavam seus próprios equipamentos na empresa, eles eram retidos sem justificativa. "Em alguns casos, as vítimas eram impedidas de entrar no estabelecimento para reaver seus pertences", informou a polícia. Diante de cobranças, os suspeitos apresentavam desculpas recorrentes, como atrasos de fornecedores ou problemas de saúde, e interrompiam o contato com os clientes.
Prejuízos de centenas de milhares de reais
Segundo a Polícia Civil, os prejuízos causados às vítimas ultrapassam a casa de "centenas de milhares de reais". Os valores ainda estão sendo calculados, assim como o número total de vítimas. A apuração constatou o uso de contas bancárias de terceiros, incluindo familiares dos investigados, para receber os pagamentos. Os clientes eram orientados a transferir os valores para essas contas, e não para a conta da empresa. "A prática é analisada como uma possível estratégia para ocultar a origem e o destino dos recursos obtidos com as fraudes", destacaram as autoridades.
Sete boletins de ocorrência e três processos
Até o momento, a polícia já contabiliza sete boletins de ocorrência registrados contra a empresa, além de três processos judiciais de cobrança. O número de ocorrências pode aumentar após a divulgação do caso. A Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento. O celular e os documentos bancários apreendidos passarão por perícia autorizada pela Justiça para mapear o fluxo financeiro do esquema. A arma apreendida também passará por exames de balística. Os casos devem ser investigados inicialmente como estelionato.



