PF investiga ligação de esquema de lavagem de dinheiro com Al-Qaeda
Ligação de lavagem de dinheiro com Al-Qaeda é investigada

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta quarta-feira, o empresário libanês Reda Zayoun, apontado como chefe de um esquema de lavagem de dinheiro que beneficiava as facções criminosas Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), no Rio e em São Paulo. Durante as investigações, a polícia identificou uma transação financeira entre Zayoun e o egípcio Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, classificado formalmente pelos Estados Unidos como membro da organização terrorista Al-Qaeda. O delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), afirmou que as informações sobre o vínculo com o terrorismo ainda são embrionárias, mas os indícios existem.

Transação com sancionado pelos EUA

Em 22 de dezembro de 2021, o Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), agência do Departamento do Tesouro dos EUA, sancionou membros de uma rede baseada no Brasil de pessoas filiadas à Al-Qaeda e suas empresas, por financiamento ao grupo terrorista. Entre os alvos estava Al-Maghrabi, que chegou ao Brasil em 2015 e mantinha negócios com outro indivíduo filiado à Al-Qaeda, Ahmed Mohammed Hamed Ali, designado terrorista pelos EUA em 2001. A transação detectada pela Polícia Civil envolveu Reda Zayoun e Al-Maghrabi, mas o delegado Pedro Brasil ressalta que ainda não é possível concluir a ligação direta com o terrorismo.

“As informações em relação a essa ligação com o terrorismo ainda são muito embrionárias. Nossas investigações identificaram uma transação financeira entre um sancionado da OFAC por financiar a organização terrorista Al-Qaeda e um dos investigados. Além disso, um dos irmãos do Reda já postou nas redes sociais uma bandeira do grupo Hezbollah. Então, são indícios que apontam que pode haver uma ligação com organizações terroristas, mas isso ainda não foi comprovado”, afirmou o delegado.

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Esquema de lavagem na Tríplice Fronteira

Reda Zayoun foi preso em Foz do Iguaçu, no Paraná, região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, que a polícia considera sensível para atuação de grupos terroristas e organizações criminosas. Segundo o delegado Pedro Brasil, a região é utilizada para contrabando de produtos que alimentam o esquema de lavagem de dinheiro. “A Tríplice Fronteira é uma região considerada pelo governo americano como de atuação de grupos terroristas, principalmente para lavagem de dinheiro. É uma região muito sensível também porque é uma porta de entrada para armas, munições e drogas, além de produtos de contrabando”, explicou.

A lavagem de dinheiro ocorria principalmente por meio de lojas de equipamentos de celulares e peças para esses aparelhos, embora houvesse outros ramos. O dinheiro de diferentes facções era usado para comprar, no exterior, peças e acessórios, que eram vendidos como se legais fossem. Foram identificados depósitos fracionados para enganar a Receita Federal e pulverização do patrimônio para dificultar a investigação financeira.

Prisões e apreensões

Os dez mandados de prisão foram cumpridos pela manhã, com quatro detenções no Rio, uma em Nova Friburgo, uma em Foz do Iguaçu e uma em São Paulo. Entre os presos no Rio estão Thierry Martins Lourenço Ribeiro, contador do esquema, e Bárbara Luzia Souza de Carvalho, proprietária de uma loja de celulares que movimentou mais de R$ 47 milhões em curto espaço de tempo, incompatível com seu porte. “Ela chegou a declarar renda de R$ 880 por mês e já foi beneficiária de programas sociais. Essa movimentação é incompatível com o patrimônio declarado”, detalhou o delegado.

Foram apreendidos celulares, tablets, notebooks e automóveis. Além disso, a polícia encontrou canetas emagrecedoras e cigarros eletrônicos e convencionais importados ilicitamente, indicando um novo braço da investigação sobre contrabando. “Acreditamos que, por eles atuarem muito na fronteira com o Paraguai, este país possa ser uma porta de entrada desses produtos”, destacou Pedro Brasil.

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