Laudo da PRF aponta que Hilux em acidente que matou cantora pertence a ex-prefeito
Laudo: Hilux de ex-prefeito em acidente que matou cantora

O laudo pericial da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre o acidente que matou a cantora Jessica da Costa Silva e Edmilson Pereira de Castro, na BR-316, no Maranhão, aponta que a Toyota Hilux envolvida na colisão pertence ao ex-prefeito de Caxias Fábio José Gentil Pereira Rosa, o Fábio Gentil. Apesar de ser o proprietário da caminhonete, Fábio Gentil não dirigia o veículo nem estava entre os ocupantes identificados no laudo. No momento do acidente, a Hilux era conduzida por um motorista a serviço do ex-prefeito, que levava um homem no banco do passageiro.

Detalhes do acidente

O acidente aconteceu no dia 11 de julho, no km 588,5 da BR-316. Inicialmente, a polícia informou que o acidente havia sido em Timon, mas o laudo considerou que a batida foi na área de Caxias, cidade vizinha. Além da Hilux, a colisão envolveu um Classic que puxava um reboque e um Fiat Uno.

Seis pessoas estavam nos veículos envolvidos no acidente. Edmilson Pereira de Castro e Jessica da Costa Silva, que estavam no Classic, morreram. Os motoristas do Classic e da Toyota Hilux ficaram feridos. Já o passageiro da caminhonete e o condutor do Fiat Uno saíram ilesos.

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Nota do ex-prefeito

Em nota divulgada nas redes sociais, Fábio Gentil citou o laudo da PRF e afirmou que não estava na Hilux no momento do acidente. Segundo o ex-prefeito, o veículo era conduzido por um motorista habilitado e trafegava normalmente pela faixa, sem excesso de velocidade. A nota na íntegra foi publicada ao final da matéria.

Versão do produtor contestada

À Rede Clube, o produtor da banda de Jéssica Costa, Weldyvan Valerio de Santana, que não estava no local no momento do acidente, afirmou que o carro em que a cantora viajava foi atingido lateralmente por uma caminhonete que estaria em alta velocidade e com os faróis apagados. O laudo da PRF, no entanto, não confirma essas informações. Segundo a perícia, a caminhonete seguia no sentido Caxias–Timon quando o GM Classic, no qual a cantora estava, entrou na frente do veículo.

De acordo com o documento, o Classic estava no acostamento do sentido contrário. Ao se aproximar do acesso a uma estrada vicinal, o motorista iniciou uma conversão à esquerda para atravessar a rodovia e entrou na faixa por onde a caminhonete trafegava. A PRF concluiu que o fator determinante para o acidente foi a entrada abrupta do Classic na pista, sem que o motorista observasse adequadamente o fluxo de veículos.

Consequências do impacto

Com o impacto, Edmilson Pereira de Castro, que estava no banco traseiro do Classic e não usava cinto de segurança, foi ejetado e morreu no local. Jessica da Costa Silva ficou presa às ferragens. Ela foi retirada com vida e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde foi intubada. Apesar dos atendimentos, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Após a primeira batida, o reboque puxado pelo Classic se desprendeu, invadiu a faixa contrária e atingiu de frente um Fiat Uno que estava parado no acostamento. A Hilux saiu da pista e parou em um terreno às margens da rodovia.

O produtor também afirmou que o motorista da caminhonete teria fugido sem prestar socorro. O laudo, porém, informa que o condutor ficou ferido, recebeu atendimento médico no local e fez o teste do bafômetro, que apresentou resultado de 0,00 mg/L.

Quem era Jéssica Costa

Jéssica era natural do Maranhão e morava na região da Santa Maria da Codipi, na Zona Norte de Teresina. Além da carreira artística, trabalhava havia cerca de oito anos com a venda de castanhas no Shopping da Cidade, no Centro da capital. Segundo o produtor Weldyvan Valerio, que também era ex-marido da cantora, há dois anos ela decidiu investir na carreira na música e passou a conciliar os shows com o trabalho no comércio. Apesar da rotina intensa, Jéssica conseguia manter as duas atividades. A cantora deixou quatro filhos. Entre eles, uma criança de 3 anos, filha dela com Weldyvan.

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O que disse o ex-prefeito de Caxias

Diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do grave acidente ocorrido na BR-316, no município de Caxias/MA, o proprietário do veículo Toyota Hilux, Fábio José Gentil Pereira Rosa, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos. Conforme consta no laudo pericial de sinistro de trânsito elaborado pela Polícia Rodoviária Federal, Fábio Gentil não se encontrava no veículo no momento do acidente. O documento identifica de forma expressa que a caminhonete era conduzida por motorista a seu serviço, devidamente habilitado. O mesmo documento também conclui que o condutor da Hilux trafegava regularmente em sua faixa de rolamento, não estava em excesso de velocidade e não foi apontado como causador do acidente. A perícia técnica atribui como fator determinante do acidente a entrada abrupta do veículo GM Classic na pista de rolamento, ao realizar manobra de conversão à esquerda, interceptando a trajetória da caminhonete. Além disso, o teste do etilômetro realizado no condutor da Hilux apresentou resultado 0,00 mg/L, afastando qualquer influência de álcool. Neste momento de profunda dor, mais importante do que qualquer esclarecimento é manifestar respeito à vida humana. Fábio Gentil se solidariza com os familiares e amigos das vítimas, lamentando profundamente a irreparável perda sofrida. Por fim, informa que tem buscado estabelecer contato com as famílias enlutadas para prestar sua solidariedade pessoal e colocar-se à disposição naquilo que lhe for possível.