Laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que o detento Aparecido da Silva Cruz, de 42 anos, encontrado morto na Unidade Penal de Araguaína (UPA), no norte do Tocantins, foi vítima de espancamento. A declaração de óbito registra múltiplas lesões, contusões, traumatismos e fraturas, compatíveis com agressão física. O documento contradiz a versão inicial da Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju), que afirmava que ele teria passado mal dentro da unidade.
Aparecido cumpria pena no regime semiaberto por tentativa de homicídio ocorrida em 2005, durante uma discussão. Ele havia retornado ao regime fechado há uma semana. Segundo a advogada Geisa Claudia Alves de Almeida Fernandes, ele estava próximo de cumprir a pena, mas quebrou a tornozeleira eletrônica para visitar o pai, que estava hospitalizado em Palmas e veio a falecer. A advogada participou de audiência de custódia durante a semana e afirmou que o cliente estava bem e tranquilo. Dias depois, recebeu a notícia da morte.
Versão oficial e investigação
Na sexta-feira (5), a Seciju informou que, durante ronda dos policiais penais na quinta-feira (4), internos do alojamento chamaram a equipe para relatar que o homem passava mal. No sábado (6), a secretaria disse que a informação inicial era preliminar e, após o laudo, foram identificados sinais de violência. A Seciju anunciou abertura de investigação pela Corregedoria para apurar as causas e circunstâncias do falecimento. A pasta afirma colaborar com órgãos policiais e periciais e prestou apoio à família.
A advogada informou que registrará o caso na Polícia Civil para investigação. Ela destacou que o Estado tem responsabilidade, pois o detento estava sob custódia. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso segue sob investigação pela Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Araguaína (2º DHPP).



