A Justiça Federal em Guarulhos determinou a soltura do segundo homem que havia sido detido pela Polícia Militar sob a acusação de integrar o esquema que tentou embarcar cerca de 400 kg de cocaína para a Europa no Aeroporto Internacional de São Paulo. Segundo apuração da TV Globo, a Polícia Federal trabalha para reunir novos indícios contra o suspeito, pois acredita que ele tenha participação direta no crime.
Enquanto isso, o primeiro suspeito preso na operação — o operador de trator que aparece nas imagens conduzindo os traficantes pela área restrita — permanece detido. A decisão de soltar o segundo envolvido ocorre horas após a prisão em flagrante, que foi ratificada pela PF na sexta-feira (31).
Como o segundo suspeito foi localizado
De acordo com a Polícia Militar, o homem foi encontrado escondido em um cômodo de um lava-rápido, depois que as equipes analisaram imagens de câmeras de segurança e identificaram a caminhonete Toyota Hilux branca usada na fuga. O veículo havia deixado a região do Terminal 3 em alta velocidade logo após a troca de tiros entre policiais federais e criminosos armados.
Pouco depois, o carro foi localizado estacionado no lava-rápido, em Guarulhos. No local, os policiais abordaram uma adolescente de 17 anos que estava ao lado da caminhonete. Inicialmente, ela deu versões contraditórias sobre sua presença ali, mas acabou confessando que acompanhava o tio e indicou o cômodo onde ele estava escondido.
Com o suspeito, foram apreendidos a chave do veículo, dois celulares, R$ 1.061 em dinheiro e US$ 2. Segundo a PM, o homem confessou a participação no esquema e chegou a afirmar que recebia aproximadamente R$ 50 mil por cada caixa de cocaína introduzida em aeronaves.
A função do homem no esquema
No relato dado aos policiais, o suspeito disse que sua função era transportar a cocaína de um bairro de Guarulhos até os arredores do aeroporto. A droga era escondida em dutos de água e, depois, recolhida por outros integrantes da quadrilha, que tinham a missão de levá-la para a área restrita e colocá-la nos aviões.
No momento da ação da Polícia Federal, ele afirmou que fazia justamente a entrega da droga para os criminosos encarregados de levá-la ao interior do aeroporto. Além disso, o suspeito mostrou espontaneamente vídeos armazenados no celular que, segundo ele, registravam operações anteriores de embarque da droga e serviam para comprovar que a carga havia chegado ao destino combinado.
Após a prisão, o homem foi levado à Delegacia da Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, onde teve a prisão em flagrante ratificada pelos crimes de tráfico internacional de drogas e organização criminosa. A adolescente foi ouvida e liberada aos familiares.
A tentativa de embarque da droga
A tentativa de embarcar a cocaína ocorreu na tarde de sexta-feira (31). A droga estava distribuída em cinco malas já colocadas dentro de uma aeronave com destino à Europa e em outras quatro caixas abandonadas durante a fuga. Segundo apuração do g1 e da TV Globo, ao menos dez pessoas participaram da ação, entre elas um funcionário terceirizado do aeroporto, que já havia sido preso por suspeita de facilitar a entrada da droga na área restrita.
Agentes da Polícia Federal interceptaram a ação perto da cabeceira da pista. Durante a fuga, ao menos um dos envolvidos disparou contra os policiais federais. Ninguém ficou ferido. Ao todo, foram apreendidos aproximadamente 400 kg de cocaína, e as investigações continuam para identificar e localizar os demais integrantes da quadrilha.
Repercussão e próximos passos
Enquanto a PF busca mais provas para embasar um novo pedido de prisão contra o segundo suspeito, o caso expõe a vulnerabilidade na segurança do aeroporto internacional. A atuação do funcionário terceirizado e a ousadia da quadrilha em operar com quantidades expressivas de droga chamam a atenção das autoridades.
As investigações seguem sob sigilo, mas a expectativa é que novos mandados de prisão sejam expedidos nos próximos dias. A Justiça Federal acompanha os desdobramentos, e a PF mantém equipes dedicadas à identificação dos demais envolvidos no esquema de tráfico internacional.



