Justiça nega soltura de iranianos presos com 180 kg de cocaína em café
Justiça nega soltura de iranianos com cocaína em café

A Justiça Federal de Santos indeferiu o pedido de soltura dos iranianos Nima Kenareifard, de 25 anos, e Saeid Sabouri, de 52 anos. Eles foram presos pela Polícia Civil em maio, após a descoberta de 181 kg de cocaína ocultos em um galpão no litoral paulista. De acordo com o Judiciário, as evidências indicam que os suspeitos integravam uma organização criminosa especializada em tráfico internacional de drogas. A defesa anunciou que recorrerá da decisão.

Detalhes da prisão

A dupla foi detida no galpão do imóvel onde Saeid reside, no bairro Vila Mathias, durante uma operação do 1º Distrito Policial de Santos. Segundo a polícia, o local era utilizado para armazenar entorpecentes que seriam enviados ao Oriente Médio, principalmente para Dubai. Saeid, que afirma atuar no ramo de exportação de café, é investigado como um dos líderes do esquema. Nima, contratado como intérprete pelo compatriota, negou envolvimento.

Argumentos da defesa

O advogado Musslim Ronaldo Vaz de Oliveira, que representa os suspeitos, solicitou a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares. Ele argumentou que os investigados são primários, têm residência fixa e exercem atividade profissional lícita no Brasil. Além disso, sustentou que não há indícios de risco de fuga, interferência nas investigações ou reiteração criminosa.

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Decisão judicial

O juiz Roberto Lemos Filho, no entanto, considerou que os elementos colhidos até o momento apontam para a participação dos investigados no esquema. Para o magistrado, a prisão é necessária para garantir a ordem pública e evitar o risco de fuga. "As provas indicam a participação em empreendimento criminoso voltado ao tráfico internacional de drogas, com grande quantidade de cocaína e sofisticado mecanismo de ocultação em carga destinada ao exterior", afirmou.

Investigação policial

De acordo com a Polícia Civil, as investigações duraram meses e incluíram campanas no imóvel por três dias antes da abordagem, ocorrida em uma terça-feira. O galpão funcionava sob a fachada de uma empresa de transporte, mas era usado para esconder drogas em meio a cargas de café com destino ao exterior. Durante o monitoramento, os agentes notaram movimentação suspeita e abordaram dois homens, que deram versões contraditórias sobre a origem do material.

No interior do galpão, os policiais encontraram diversos sacos de ráfia contendo grãos de café. Ao abrir as embalagens, localizaram 178 tabletes de cocaína, totalizando aproximadamente 181 kg da droga. Além dos entorpecentes, foram apreendidos seis celulares com os suspeitos. "As apurações indicam que a droga seria preparada para envio internacional, revelando a atuação do grupo em esquema de tráfico transnacional", destacou a corporação em nota.

Recurso da defesa

Procurado pela reportagem, o advogado Musslim Ronaldo Vaz afirmou que a defesa "segue buscando provar a inocência dos investigados" e que deve apresentar recurso contra a decisão na próxima semana.

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