A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 101 milhões e a prisão de cinco pessoas investigadas por integrarem uma quadrilha suspeita de venda ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação faz parte da Operação Nesher, deflagrada na quarta-feira (10) pela Polícia Civil de Pernambuco, que nesta quinta (11) revelou detalhes do caso. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.
Operação Nesher
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, a investigação contou com cooperação das polícias de Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. O delegado Franklin Soriano, da Delegacia de Camaragibe, no Grande Recife, informou que foram cumpridos 18 mandados, incluindo prisões, buscas e apreensões, além do bloqueio judicial de bens que totalizou R$ 101 milhões.
Investigação desde 2022
O ponto de partida foi a apreensão de um fuzil contrabandeado, além de armas e munições. A partir desse flagrante, os investigadores perceberam que não se tratava de um caso isolado, mas de uma organização criminosa estruturada, com ligações em quatro regiões do país e conexões com a tríplice fronteira. O maior volume de movimentações financeiras ocorria em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
“No flagrante que originou essa operação, o alvo preso no Rio Grande do Norte portava fuzil, revólver e pistola. Era um fuzil sem fabricante ou representante no Brasil, só podendo ter chegado ao país por contrabando”, afirmou o delegado.
Lavagem de dinheiro como carro-chefe
Inicialmente, a organização atuava com tráfico de drogas e armas. Com o tempo, a lavagem de dinheiro tornou-se o principal negócio. A quadrilha usava empresas para dar aparência legal aos recursos ilícitos. Os investigadores identificaram movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada dos envolvidos, com volume de dinheiro “muito alto e injustificável”.
“Nosso laboratório detectou empresas com CNPJ em nome de familiares e movimentações expressivas de contas de investigados egressos do sistema carcerário para essas empresas, caracterizando empresa de fachada ou mescla de operação lícita sem justificativa para o volume”, declarou o delegado.
Bens bloqueados e prisões
Entre os bens bloqueados estão contas bancárias, imóveis, veículos e outros ativos. O principal alvo foi preso em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Trata-se do homem capturado com fuzil contrabandeado em 2022. A mulher presa, que mantinha uma casa de bronzeamento, já havia sido detida por lavagem de dinheiro e utilizava o mesmo tipo de estabelecimento para a prática criminosa.
“Essa mulher é reincidente. Já foi alvo de operação em Paulista, também com empresa de bronzeamento, e apenas mudou o nome, endereço e CNPJ, repetindo a prática em Olinda. O cônjuge dela também é investigado por tráfico. Ela já respondeu por homicídio, tráfico e associação”, afirmou o delegado.



