Jurada passa mal e atrasa 4º dia do julgamento do caso Henry Borel
Jurada passa mal e atrasa 4º dia do julgamento Henry Borel

O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel sofreu um atraso na manhã desta quinta-feira após uma jurada passar mal no plenário do II Tribunal do Júri, no Centro do Rio. A sessão começou às 10h30, com cerca de 90 minutos de atraso. O quarto dia é marcado pelo depoimento de Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada do ex-vereador. Muito emocionada, ela relatou à juíza episódios de agressões que teria sofrido quando ainda era criança.

— Cada vez que eu conto a história eu revivo. Me sinto culpada, se eu tivesse contado antes poderia ter evitado o que aconteceu com Henry — lamentou Kaylane durante o depoimento no II Tribunal do Júri.

Depoimento de Kaylane Pereira

Kaylane afirmou que Jairinho a buscava em casa enquanto mantinha relacionamento com sua mãe e dizia que a levaria para restaurantes. Segundo ela, os encontros aconteciam em um local que acredita ser um motel. Ela relatou que, nesses encontros, sofria agressões físicas. Segundo ela, Jairinho dava “mocas” e socos e chegou a afundá-la repetidas vezes em uma piscina.

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— Ele ficava me afundando na piscina com o pé dele até o chão várias vezes. Ele me dava socos e mocas nesse lugar que acredito ser um motel — afirmou Kaylane durante o julgamento.

A jovem é filha de Natasha, ex-namorada de Jairinho. O relato ocorre após o Ministério Público já ter denunciado, em 2021, o então vereador por supostamente torturar a menina quando ela tinha cerca de 5 anos. Na denúncia, os promotores afirmam que Jairinho “batia com a cabeça da vítima contra diversos lugares, chutava e desferia socos contra a barriga da criança, além de afundá-la na piscina colocando seu pé sobre sua barriga”.

A jovem também afirmou que o então padrasto apertava seu braço com força e que, em uma ocasião, precisou colocar gesso. Segundo ela, Jairinho dizia que a lesão teria ocorrido por conta das aulas de jiu-jítsu que fazia na época. Kaylane contou ainda que nunca revelou as agressões à mãe enquanto ela mantinha relacionamento com Jairinho porque era ameaçada emocionalmente.

— Ele falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste, que ela ia chorar, e que eu seria a razão disso — relatou.

Ameaças e repetição dos abusos

Segundo a testemunha, os episódios ocorreram mais de cinco vezes, embora ela diga não conseguir precisar exatamente quantas. Kaylane ainda afirmava que Jairinho repetia diversas vezes que se ela “não existisse seria muito melhor” e que ela “atrapalhava a vida deles”:

— Ele dizia que se eu não estivesse ali seria melhor. Que eles ficaram mais juntos até em momentos românticos. Que eu atrapalhava a vida dela e deles. Ele queria ficar só com ela.

Contexto do julgamento

O depoimento acontece no mesmo dia em que o advogado Fabiano Tadeu Lopes, principal nome da defesa de Jairinho, retornou ao plenário após sofrer um infarto no último sábado durante a preparação para o júri. Nesta quinta, o julgamento, que acontece no Tribunal de Justiça do Rio, no Centro, já supera as 36 horas, em dias consecutivos. Entre as testemunhas já ouvidas estão delegados responsáveis pela investigação, um psiquiatra da acusação e médicos que atenderam Henry no Hospital Barra D’Or na noite da morte.

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