Uma tragédia marcou o último sábado (13) em Limeira, interior de São Paulo. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu ao ser lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu corpo. O acidente ocorreu na Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, durante uma atividade de rope jump organizada por um grupo informal de praticantes.
Quem era Maria Eduarda?
Maria Eduarda, conhecida como Duda, era natural de Jandira (Grande São Paulo) e tinha formação em educação física e gestão esportiva. Ela trabalhava na academia Panobianco Silverstone e sonhava em ser professora de educação física, como contou seu ex-professor Valdinei Barbosa. "Ela sempre falava: 'Professor, quando eu sair daqui vou ser professora de Educação Física'. E eu sempre incentivava, porque ela tinha perfil para isso", lembrou Valdinei, que deu aulas a ela na Escola Estadual Terezinha Polloni.
O professor destacou a dedicação e liderança da jovem. "Ela vestia a camisa da escola. Quando tínhamos jogos interclasses, era uma das pessoas que mais ajudava a organizar tudo." Emocionado, ele afirmou que guarda lembranças da aluna como se fosse um filho. "Ela era muito dedicada. Lembro do sorriso dela, da vontade de participar de tudo."
A academia onde Maria Eduarda trabalhava também prestou homenagem. Em nota, a Panobianco Silverstone lamentou a perda e destacou a dedicação, carinho, alegria e respeito com que ela tratava as pessoas. "Sua presença iluminava os ambientes e sua lembrança permanecerá para sempre em nossos corações", diz o texto.
Como o acidente aconteceu?
Imagens gravadas por testemunhas mostram Maria Eduarda sendo carregada por três funcionários até a borda da plataforma. Ela é empurrada e, imediatamente após a queda, ouvem-se gritos de "a corda" e "gente, a corda". A jovem caiu de uma altura de 40 metros e morreu no local, com a morte constatada pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo a Polícia Civil, o equipamento de segurança — uma corda grossa que deveria estar presa ao corpo da vítima — foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura. Uma testemunha que saltaria logo após ela relatou que os instrutores não realizaram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda.
O que é rope jump?
O rope jump é um esporte radical em que o praticante salta de locais altos, como pontes e viadutos, preso a um sistema de cordas semelhante ao de escalada. Diferente do bungee jump, que usa corda elástica e faz a pessoa quicar, o rope jump interrompe a queda de forma controlada, fazendo o praticante balançar como um pêndulo. Por ser de risco extremo, empresas profissionais adotam protocolos rígidos, como a checagem dupla, em que mais de um instrutor confirma os equipamentos antes de autorizar o salto.
Quem eram os responsáveis?
Os homens que aparecem no vídeo empurrando a jovem usavam camisetas das marcas "Entre Cordas" e "Ih Voei". A polícia informou que esses são nomes de grupos informais de praticantes, e não empresas oficiais. O grupo se conheceu há cerca de um ano e passou a promover eventos em vários destinos. Três homens foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos.
Em depoimento, os instrutores não souberam explicar por que a corda não foi presa. A delegada responsável afirmou que eles se mostraram desnorteados e não lembravam de quem era a obrigação de colocar a corda, nem por que a fiscalização final não foi feita antes de empurrarem a vítima.
O grupo tinha autorização para atuar no local?
Não. A polícia informou que o grupo não tinha nenhuma autorização para realizar saltos na região da Ponte do Esqueleto. Mesmo sem permissão legal, a atividade organizada naquele sábado reunia cerca de 100 participantes.
Quais os crimes investigados?
Os três foram presos em flagrante e serão investigados por homicídio com dolo eventual — quando a pessoa não tem intenção direta, mas assume o risco de matar. Para a delegada, ao não fazerem a checagem da corda, eles assumiram o risco de produzir o resultado trágico. A polícia agora ouvirá outras testemunhas e aguarda laudos da perícia. Com o avanço do inquérito, os instrutores poderão ser denunciados à Justiça.
O que diz a defesa dos instrutores?
O advogado de defesa afirmou que os três são apaixonados pelo esporte, atuam há anos e nunca tiveram problemas. Ele classificou o caso como uma "triste fatalidade".
De quem é a responsabilidade pelo local?
A Ponte do Esqueleto é de responsabilidade do Governo Federal. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) disse estar à disposição para colaborar com as investigações. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o local faz parte do patrimônio imobiliário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi classificado como bem não operacional a cargo do DNIT. A transferência patrimonial para a SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026.
A Prefeitura de Limeira informou que vai processar a União por omissão. A administração municipal alega que já havia enviado ofícios aos órgãos federais cobrando medidas de segurança, manutenção e controle de acesso à área, mas nenhuma providência foi tomada.



